Renan descarta pressão e diz que não deixa presidência do Senado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) negou hoje que esteja disposto a deixar o cargo. Parlamentares da oposição e de seu próprio partido defendem que ele se licencie do cargo até a conclusão do processo por quebra de decoro parlamentar que corre contra ele no Conselho de Ética da Casa.
"Não saio. Estou tranqüilo. Sofro pressão só da imprensa", disse o presidente do Senado nesta terça-feira ao ser abordado por jornalistas.
Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel para a jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) ocupou hoje a tribuna do Senado para pedir a renúncia de Renan da presidência do Senado Federal. Simon é o primeiro integrante do PMDB, partido de Renan, a pedir o afastamento do alagoano.
"Eu acho que esse é o momento que sua Excelência deveria, por contra própria, renunciar ao mandato de presidente do Senado", defendeu Simon.
Na opinião do senador peemedebista, se Renan deixar a presidência da Casa poderá "honrar sua história política" antes de manchá-la com novas denúncias.
"Se ele renunciar à presidência do Senado, aí é uma questão pessoal dele enfrentar a crise como senador", completou Simon.
Assim como o peemedebista, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) reiterou do plenário a defesa do afastamento de Renan. "Trata-se de um amigo, mas temos que lidar com a razão ao invés do coração. A instituição está acima das pessoas. Se o Conselho de Ética tiver que punir, tem que punir. Senão vai ser a descrença total dessa instituição."
Oposição
Deputados do PV e do PSOL fizeram hoje um corpo-a-corpo com integrantes do Conselho de Ética para defender o afastamento de Renan da presidência.
O líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ) defende que Renan saia da presidência para não arranhar a imagem do Senado. "É um trabalho de sensibilização dos senadores. O abismo entre a sociedade e o Senado está se aprofundando. Essa compulsão do Conselho de Ética para produzir obra que absolva Renan é insustentável."
A maioria dos senadores está cautelosa e evita pedir explicitamente a renúncia de Renan, com exceção de Simon e Peres. Nos bastidores, entretanto, Renan vem recebendo conselho de aliados sobre a possibilidade de deixar o cargo e provar a inocência das denúncias.
Defesa
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), disse que Renan vai provar inocência no final de investigação. "O que está acontecendo é boataria, especulação de toda ordem. É um absurdo falar em renúncia. Temos que esperar o resultado da perícia da Polícia Federal antes de reunirmos qualquer conclusão sobre esse caso."
Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos feitos para Mônica, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.
Reportagem do "Jornal Nacional", da semana passada, lançou suspeita sobre esse ganho. A reportagem contestou autenticidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas pela defesa de Renan.
Após a denúncia, o Conselho de Ética adiou a votação do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que sugeria o arquivamento das denúncias por falta de provas. Cafeteira alegou problemas de saúde e pediu afastamento da relatoria. O presidente do conselho, Sibá Machado (PT-AC), tenta buscar um relator substituto entre o grupo aliado.
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