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Brasil
19/06/2007 - 19h06

PF confirma veracidade de notas de Renan, mas faz ressalva sobre transações

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A Polícia Federal entregou nesta terça-feira o resultado da perícia realizada nos documentos apresentados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao presidente do Conselho de Ética da Casa, Sibá Machado (PT-AC). Fontes da PF informaram que a perícia confirmou a veracidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas por Renan ao conselho.

A perícia, entretanto, fez ressalvas em relação à comprovação das transações de venda de gado apontadas nas notas fiscais. De acordo com fontes da PF, não dá para comprovar a veracidade dessas negociações.

O resultado da perícia apontou ainda que as notas apresentadas por Renan saíram de três blocos diferentes.

A perícia da PF realizou apenas aquilo que foi solicitado pelo conselho: verificar a autenticidade das notas fiscais. A PF não checou, por exemplo, a movimentação financeira de Renan --não solicitada pelo conselho.

O resultado da perícia foi apresentado a Sibá por Clênio Guimarães Beluco, diretor do Instituto Nacional de Criminalística, e pelo perito criminal David Antonio de Oliveira. A perícia foi inicida no sábado, quando a PF teve acesso aos documentos apresentados por Renan.

Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel para a jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha.

Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos feitos para Mônica, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.

Reportagem do "Jornal Nacional", da semana passada, lançou suspeita sobre esse ganho. A reportagem contestou autenticidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas pela defesa de Renan.

Após as denúncias, o Conselho de Ética adiou a votação do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que sugeria o arquivamento da representação do PSOL por quebra de decoro parlamentar por considerar que não há provas contra o peemedebista. A justificativa para o adiamento era periciar as notas fiscais e ouvir testemunhas --como o advogado de Mônica, Pedro Calmon, e Gontijo.

Antes mesmo de receber o resultado da perícia, Sibá admitia um novo adiamento na votação do relatório que absolve o senador Renan. "Marquei a sessão amanhã para as 13h30, mas podemos remarcar um novo horário."

 

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