PF prende 25 na 2ª fase da Hurricane; filho do Chacrinha está entre detidos
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
A Polícia Federal prendeu 25 pessoas no Rio e São Paulo entre ontem e hoje durante a segunda etapa da Operação Hurricane (furacão). Entre os presos está José Renato Barbosa de Medeiros, identificado pela PF como filho do apresentador Abelardo Barbosa, o Chacrinha.
O filho do Chacrinha trabalhava na Câmara Municipal do Rio. Segundo a PF, ele intermediava o contato entre policiais e a máfia do jogo.
Desta vez, os principais alvos da operação eram policiais civis, militares e federais acusados de envolvimento com a máfia dos bingos e das máquinas de caça-níqueis.
O superintendente da PF no Rio, Delci Teixeira, disse os policiais federais recebiam uma propina mensal de R$ 5.000 para informar os bingueiros sobre as operações contra a máfia do jogo.
O diretor de Inteligência Policial, Renato Porciúncula, afirmou que a operação foi "tranqüila", pois os "os alvos já vinham sendo monitorados desde a primeira operação".
Segundo ele, a segunda etapa da Hurricane só deveria ser deflagrada hoje. Mas como houve vazamento da operação, a PF precisou iniciar as prisões ontem à tarde.
Teixeira afirmou que policiais vão ser processados administrativamente e criminalmente. Segundo ele, eles vão responder pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva.
A PF apreendeu documentos na casa de Luciano Andrade do Nascimento, o Bola, que indicam que a máfia dos bingos pagava uma mesada de cerca de R$ 1 milhão a policiais federais, civis e militares. Esse documento foi encontrado no dia 13 de abril durante as buscas e apreensões da primeira etapa da Operação Hurricane. Bola está foragido.
Entres as despesas supostamente pagas com as receitas de jogos e máquinas estariam gastos fixos de R$ 848.600 para policiais civis, R$ 51.550 destinados à Polícia Militar e R$ 240 mil à Polícia Federal. Tudo junto dava mais de R$ 1 milhão.
Prisões
Segundo a PF, a Justiça Federal expediu mandados de prisão preventiva contra 36 pessoas. Dessas 36, oito já haviam sido presas na primeira etapa da operação: Marcos Bretas (policial), Ana Cláudia Rodrigues do Espírito Santo (funcionária da associação dos bingos), Paulo Roberto Ferreira Lino (presidente da associação de bingos), José Renato Granado (vice-presidente da associação), Aílton Guimarães, o Capitão Guimarães (bicheiro), Julio Cezar Guimarães (sobrinho de Capitão Guimarães), Antonio Petrus Kalil, o Turcão (bicheiro) e Aniz Abrahão David, o Anísio (bicheiro).
Entre os 25 presos estão dois delegados da Polícia Civil (José Januário de Freitas e Luiz Carlos Ruben dos Santos), 18 policiais civis, um delegado da Polícia Federal Julio Rodrigues Bilharinho, um agente da PF (Antonio Oton Paulo Amaral), um major da PM (Marcio Andrade Vasconcelos).
Também foram presos empresários sem vínculo profissional com a polícia. Entre eles está José Renato Barbosa de Medeiros, identificado pela PF como filho do apresentador Abelardo Barbosa, o Chacrinha.
Segundo a PF, existem também três foragidos: Luciano Andrade do Nascimento, o Bola, Marcos Antonio Machado, o Marquinhos, e Renato Gabriel Alves da Silva.
A PF informou que delegado e o agente foram presos em São Paulo, onde faziam um curso sobre o novo modelo de passaporte.
Primeira etapa
A primeira etapa da Operação Hurricane, deflagrada em 13 de abril, prendeu 25 pessoas, entre magistrados, bicheiros, policiais, empresários, advogados e organizadores do Carnaval do Rio.
Entre os primeiros presos estavam o ex-vice-presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região, desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim; o desembargador federal José Ricardo de Siqueira Regueira, também do TRF da 2ª Região; o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, e o procurador regional da República do Rio João Sérgio Leal Pereira. Eles foram soltos por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cesar Peluso.
A PGR (Procuradoria Geral da República) também ofereceu denúncia contra o ministro Paulo Medina, do STJ (Superior Tribunal de Justiça). A Polícia Federal colocou Medina no centro do esquema de comercialização de sentenças a favor de bingueiros e bicheiros.
Medina, segundo a PF e a Procuradoria, pode ter negociado por R$ 1 milhão, por meio de seu irmão Virgílio (que permanece preso), uma liminar concedida por ele em 2006 (e depois cassada pelo STF).
Com essa liminar, foram liberadas 900 máquinas caça-níqueis que haviam sido apreendidas em Niterói (RJ). Agora, Medina e os outros quatro com foro privilegiado deverão apresentar suas defesas ao STF.
Leia mais
- PF deflagra 2ª etapa da Hurricane contra policiais envolvidos com caça-níqueis
- Nova composição do CNJ altera relatoria do caso Hurricane
- Juiz preso na Operação Hurricane prorroga férias no TRF-2 até 17 de julho
- Máfia dos bingos pagava mesada de R$ 1 mi para a polícia, diz documento
- Lista do bicho traz políticos do Rio, diz PF
Especial

