Votação do relatório do caso Renan pode ser secreta
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A votação do relatório do senador Epitácio Cafeteira, que sugere o arquivamento do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode ser secreta.
Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha.
A secretária-geral da Mesa do Senado, Claudia Lyra, disse à Folha Online que o regimento interno da Casa não prevê se as votações do Conselho de Ética devem ser abertas ou fechadas. A maioria das votações foi secreta.
A assessoria do presidente do Senado, Sibá Machado (PT-AC), disse que a intenção dele é votar o relatório abertamente.
No entanto, se algum senador questionar a decisão, a votação pode ser secreta. Ou seja, ninguém saberá quem foram os senadores favoráveis e contrários ao relatório de Cafeteira.
"Depende do voto que estamos apreciando. Se estamos apreciando votos já lidos, serão abertos. Mas qualquer mudança de voto, cabe ao relator sugerir", disse Sibá.
Votação
A votação do relatório, prevista para as 13h30, foi adiada para as 17h. O PSDB já avisou que é contrário à votação hoje. O partido quer aprofundar as investigações sobre o caso.
O novo relator do processo, Wellington Salgado (PMDB-MG), sinalizou hoje que vai propor o arquivamento das denúncias.
Salgado afirmou, porém, que vai incluir no relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) "fatos novos" no que diz respeito às movimentações financeiras de Renan --com a sugestão para que sejam investigados em um novo processo.
A estratégia de Salgado é arquivar o relatório, mas deixar para o conselho decidir se um novo processo deve ser aberto contra Renan para apurar denúncias de irregularidades em sua movimentação fiscal.
Na opinião do senador, não cabe ao Senado apurar os chamados "fatos novos", e sim a órgãos federais.
"Se o presidente Renan tem renda para pagar pensão, isso está resolvido. As movimentações são outra coisa. Isso tem que ser investigado pelo Ministério Público, Receita Federal, Secretaria de Fazenda. Não depende do Senado", afirmou.
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