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Brasil
20/06/2007 - 20h38

Pressionado, Conselho de Ética adia votação do processo contra Renan

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O Conselho de Ética do Senado adiou mais uma vez a votação do processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de quebrar o decoro parlamentar. Pelo menos dez senadores, entre integrantes da base aliada e da oposição, defenderam o adiamento da votação para aprofundar a investigação.

Por conta do adiamento, o novo relator do processo, senador Wellington Salgado (PMDB-MG), renunciou menos de 24 horas depois de assumir o posto em protesto ao adiamento.

"É uma honra pertencer ao Conselho de Ética. Mas nesse momento desisto de ser relator porque não sinto nesse conselho vontade de julgar alguém pela quebra da ética. Não faz parte dos meus valores entrar nesse jogo", disse ele.

Mas o conselho foi pressionado a adiar a votação. Os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Eduardo Suplicy (PT-SP) defenderam que Renan dê explicações para as denúncias de que teria utilizado recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de suas despesas pessoais.

O próprio Renan se ofereceu para ir nesta quinta-feira ao Conselho de Ética para prestar todos os "esclarecimentos necessários" aos integrantes do conselho.

"Acabo de conversar por telefone com o senador Renan. Ele pede para vir amanhã [quinta-feira] à tarde no conselho para prestar esclarecimentos", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Renan decidiu se colocar à disposição do conselho depois de perceber que não havia número de senadores suficiente para aprovar o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que o inocenta nas denúncias envolvendo a Mendes Júnior.

Mais cedo, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) disse que tanto o arquivamento quanto o adiamento da votação trariam prejuízos para o Senado. "Se o conselho arquivar, será um escândalo monumental. Se adiar, a situação do presidente Renan fica ainda mais frágil."

Peres defendeu o licenciamento de Renan da presidência do Senado. "Por isso, ele deveria se afastar para deixar as investigações prosseguirem."

Perícia

Com o adiamento, os parlamentares esperam que a PF realize perícia mais detalhada nos documentos enviados por Renan ao conselho sobre a sua movimentação financeira.

Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel para a jornalista.

O adiamento ocorre no mesmo dia em que o resultado da perícia da Polícia Federal lançou suspeita sobre os documentos apresentados pela defesa de Renan para justificar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos feitos a Mônica Veloso.

Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.

Reportagem do "Jornal Nacional", da semana passada, lançou suspeita sobre esse ganho. A reportagem contestou autenticidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas pela defesa de Renan.

O Conselho de Ética pediu para a Polícia Federal periciar a autenticidade dos documentos apresentados por Renan.

Reportagem da Folha informa que a perícia verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma "diferença" de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.

Cronograma

Jucá cobrou do presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC), um cronograma para as novas investigações sobre o presidente do Senado.

"Acho que Vossa Excelência deveria definir a pauta do que pode ser investigado ou não. Ele [Renan] concorda com a audiência amanhã e com todas as investigações necessárias ao processo", disse Jucá.

 

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