Após adiamento, novo relator do caso Renan entrega o cargo
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG), novo relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, (PMDB-AL), cumpriu a promessa e entregou o posto. A renúncia ocorre menos de 24 horas depois de Salgado assumir a relatoria no lugar de Epitácio Cafeteira (PTB-MA) --que pediu afastamento na segunda-feira por dez dias alegando problemas de saúde.
Antes de oficializar a desistência da relatoria, Salgado havia dito que renunciaria se o Conselho de Ética adiasse a votação do relatório de Cafeteira --que sugere o arquivamento das denúncias por falta de provas. "Se não for relatá-lo hoje, vou me afastar do cargo e abro mão do relatório", disse.
Como o conselho acabou adiando a votação mais uma vez, Salgado afirmou que iria desistir da relatoria. "É uma honra pertencer ao Conselho de Ética. Mas nesse momento desisto de ser relator porque não sinto nesse conselho vontade de julgar alguém pela quebra da ética. Não faz parte dos meus valores entrar nesse jogo."
Senadores da base aliada e da oposição pressionaram o conselho pelo adiamento da votação para que novas investigações sejam realizadas sobre Renan.
Até Renan se ofereceu para ir nesta quinta-feira ao Conselho de Ética para prestar todos os "esclarecimentos necessários" aos integrantes do conselho.
"Acabo de conversar por telefone com o senador Renan. Ele pede para vir amanhã [quinta-feira] à tarde no conselho para prestar esclarecimentos", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), antes do adiamento ser oficializado.
O próprio presidente do conselho, senador Sibá Machado (PT-AC), propôs o adiamento da votação uma vez que a maioria dos integrantes do órgão foram favoráveis a novas investigações --entre eles quatro senadores da base aliada do governo: Eduardo Suplicy (PT-SP), Augusto Botelho (PT-RR), Renato Casagrande (PSB-ES) e Valter Pereira (PMDB-MS).
Assim como os quatro senadores, os líderes do PSDB e do DEM também defenderam o adiamento da votação em nome de suas bancadas. Ao todo, DEM e PSDB reúnem cinco dos 15 integrantes do Conselho de Ética.
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