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Brasil
21/06/2007 - 07h33

PF se irrita com nota do MPF sobre denúncia de investigados na Xeque-Mate

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HUDSON CORRÊA
da Agência Folha, em Campo Grande

Investigadores da Polícia Federal que atuaram na Operação Xeque-Mate ficaram irritados com a nota do MPF (Ministério Público Federal) emitida anteontem sobre a denúncia contra 39 suspeitos de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.

A irritação ocorreu por causa de um trecho sobre a exclusão, entre os denunciados, de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vavá havia sido indiciado pela PF sob suspeita de tráfico de influência e exploração de prestígio, no dia 4 de junho, na Operação Xeque-Mate.

Um trecho da nota divulgada anteontem, e que desagradou aos investigadores, diz que "o MPF entendeu que não há nos autos elementos que indiquem a participação [de Vavá] em qualquer uma das quadrilhas denunciadas".

Para os investigadores, o texto dá a impressão de que não havia também indícios de tráfico de influência e exploração de prestígio contra Vavá.

O delegado Alexandre Custódio Neto, responsável pela Operação Xeque-Mate, não criticou a decisão do MPF.

Custódio ressaltou, porém, que o próprio MPF já tinha confirmado indícios de crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio supostamente cometidos pelo irmão de Lula.

Essa confirmação, segundo o delegado, ocorreu quando o MPF foi favorável, no fim de maio, ao pedido de prisão temporária de Vavá. A Justiça Federal não acatou o pedido de prisão.

Embora tenham dado parecer favorável à prisão, anteontem os procuradores da República disseram entender que são necessárias "provas mais robustas" para uma denúncia.

O MPF não se manifestou ontem sobre a irritação dos investigadores. Anteontem, o MPF denunciou 39 pessoas de uma lista de 58 indiciados pela PF.

Em documento enviado à Justiça, o MPF diz que "não se vislumbra a presença de indícios de que Genival faça parte da quadrilha [dos caça-níqueis] liderada pelo [empresário de jogos] Nilton Cezar Servo".

A PF havia descartado na investigação que Vavá pertencesse à suposta organização criminosa de Servo e, por essa razão, não indiciou o irmão de Lula por formação de quadrilha.

Em seu relatório, a PF diz que Vavá mantinha conversas telefônicas com Servo, a quem pedia dinheiro em troca de influência em órgãos públicos e na Justiça. "Não foram identificados os possíveis beneficiários do lobby [feito por Vavá]", dizem os procuradores.

O MPF pediu então mais investigação. Na avaliação dos procuradores, o processo deve ser enviado à Justiça Federal em São Bernardo do Campo (SP), onde Vavá mora.

Nos processos judiciais, é comum o MPF não denunciar todos os indiciados pela polícia no inquérito. A PF avalia que a denúncia contra 39 pessoas foi satisfatória e referendou o trabalho da investigação.

 

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