Impasse adia reunião de trabalho do Conselho de Ética sobre caso Renan
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC), suspendeu reunião marcada para esta manhã com o objetivo de montar um cronograma de trabalhos para as investigações contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O presidente do Senado é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha.
Sibá argumentou que antes de decidir os próximos passos do conselho tem que escolher um novo relator para o caso Renan.
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) entregou ontem a relatoria depois que o conselho decidiu adiar mais uma vez a votação do relatório no processo contra o presidente do Senado. Salgado já substituía o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) na relatoria, que está afastado por licença médica do Senado no período de dez dias.
A renúncia de Salgado provocou um novo impasse sobre um nome a ser indicado para o cargo. Integrantes do conselho resistem em aceitar a relatoria diante do desgaste provocado pelo processo contra o presidente do Senado.
Parlamentares ouvidos pela Folha Online afirmaram que, independentemente do resultado do processo contra Renan, o relator receberá críticas pela condenação ou absolvição senador. Por esse motivo, os integrantes do conselho estão resistentes em aceitar o cargo.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), um dos principais aliados do presidente do Senado, se colocou à disposição do Conselho de Ética da Casa para assumir a relatoria do processo contra Renan.
Apesar da indefinição sobre a relatoria, Sibá disse que o novo relator continuará sendo "ad hoc" (interino), já que Cafeteira está apenas afastado da função. O relator original, no entanto, não deve permanecer na relatoria uma vez que o conselho decidiu ampliar as investigações sobre Renan.
Na semana passada, Cafeteira só desistiu de renunciar ao cargo com a condição de que seu texto seria referente apenas às denúncias da Mendes Júnior.
O conselho cobra, agora, investigações sobre a movimentação financeira de Renan. O senador é acusado de usar notas frias ao justificar sua renda com a venda de gado em Alagoas. Seu patrimônio também vem sendo questionado diante da disparidade entre o que alega ter lucrado e o que efetivamente possui.
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