Suplicy se oferece para relatar caso Renan, mas diz que não foi convidado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) se colocou à disposição do Conselho de Ética do Senado para relatar o processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O presidente do conselho, senador Sibá Machado (PT-AC), disse hoje que vem enfrentando "dificuldades" para encontrar um senador da base aliada disposto a ocupar o cargo.
Suplicy afirmou que não foi sondado por Sibá para a relatoria, apesar do presidente do conselho argumentar que nenhum governista ainda se ofereceu para a função. O senador disse que está pronto para cumprir a tarefa se for necessário.
Apesar de Suplicy integrar a base aliada do governo, no Conselho de Ética ele não é da chamada "tropa de choque" de Renan.
O senador petista defende maiores investigações sobre o presidente do Senado depois que a Polícia Federal revelou indícios de irregularidades na prestação de contas da movimentação financeira de Renan.
Ao lado dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Augusto Botelho (PT-RR), Suplicy se mostrou contrário ao arquivamento imediato do processo contra o presidente do Senado --o que provocou a irritação de líderes governistas no Senado.
Aliados de Renan trabalham para que a relatoria seja ocupada por um senador peemedebista, mesmo partido do presidente da Casa. Sibá disse hoje estar disposto a deixar o cargo com o PMDB com o argumento de que, como maior bancada, o partido possui essa prerrogativa.
O PMDB é o partido com o maior número de senadores, 22 no total. Em seguida está o DEM, com 17 parlamentares. Sozinho, o PMDB tem a maior bancada. Em relação aos blocos parlamentares, a oposição sai em vantagem --uma vez que PSDB e DEM têm juntos 30 senadores e o PMDB não se uniu oficialmente ao PT como bloco no Senado.
Sibá sustenta que, pelo regimento, a relatoria cabe ao maior partido. "Só se nenhum senador do bloco de apoio ao governo não quiser é que poderemos convidar alguém de outros partido para a relatoria. É do regimento. O PMDB tem 22 senadores e está na coalizão do presidente Lula", disse.
O impasse sobre o novo relator teve início desde que o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) deixou o cargo, na última segunda-feira, por estar de licença médica do Senado. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) aceitou a função em meio a dificuldades de Sibá para encontrar um substituto, mas ficou apenas poucas horas na função. Salgado entregou ontem a relatoria depois que o Conselho de Ética adiou, mais uma vez, a votação do relatório no processo contra Renan.
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