Publicidade

Publicidade
Brasil
24/06/2007 - 18h35

Aliados de Renan querem deixar votação do processo para depois do recesso

Publicidade

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
SILVANA DE FREITAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Às vésperas do recesso parlamentar --que começa em 18 de julho e vai até 1º de agosto--, o grupo que defende a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tenta adiar a votação do processo de quebra de decoro no Conselho de Ética da Casa. Com essa estratégia, o grupo tenta "esfriar" as denúncias contra Renan e conseguir absolver o presidente do Senado dentro do Conselho de Ética.

Nesta quarta-feira, o vice-líder do PMDB, senador Wellington Salgado (MG), vai apresentar um requerimento questionando uma série de procedimentos adotados pelo conselho. Com isso deverá ocorrer novo debate e mais atrasos no processo.

"O que se quer realmente apurar? Uma vez que o requerimento encaminhado pelo PSOL, pedindo as investigações, sugeria quebra de decoro parlamentar por uma denúncia específica", reagiu Salgado.

Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar o aluguel e a pensão de Mônica, com quem tem uma filha fora do casamento.

Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.

Reportagem do "Jornal Nacional" lançou suspeita sobre esse ganho. A reportagem contestou autenticidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas pela defesa de Renan.

O Conselho de Ética pediu para a Polícia Federal periciar a autenticidade dos documentos apresentados por Renan.

A perícia verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma "diferença" de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.

Sem relator

Em meio às articulações dos aliados e dos contrários à protelação, o processo de Renan continua sem relator. Após o recuo de Wellington Salgado e da licença médica do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), o caso aguarda definição.

O presidente do conselho, Sibá Machado (PT-AC), disse que seria rápido na escolha do novo relator, que vai sair do PMDB. O líder do partido no Senado, Valdir Raupp (RO), colocou-se à dispoição. Mas o petista não sinalizou a favor da proposta.

Ainda nesta semana, o conselho deve autorizar a continuidade da realização de perícias nos documentos de Renan, uma vez que a PF (Polícia Federal) informou não ter tido tempo para concluir o trabalho.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca