Grupo de Renan tenta manobra para adiar votação no Conselho de Ética
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
SILVANA DE FREITAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
Às vésperas do recesso parlamentar, o grupo que defende a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tenta adiar a votação do processo de quebra de decoro no Conselho de Ética da Casa. O objetivo é esfriar as denúncias contra Renan e conseguir absolver o presidente do Senado dentro do Conselho de Ética.
O vice-líder do PMDB, senador Wellington Salgado (MG), vai apresentar na quarta-feira (27) um requerimento questionando uma série de procedimentos adotados pelo conselho. Com isso deverá ocorrer novo debate e mais atrasos no processo.
"O que se quer realmente apurar? Uma vez que o requerimento encaminhado pelo PSOL, pedindo as investigações, sugeria quebra de decoro parlamentar por uma denúncia específica", reagiu Salgado.
Para o PSOL, o grupo está colocando em prática um plano para adiar a votação. "Vivemos um impasse fabricado porque há uma manobra protelatória [em curso]", disse o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ).
O partido prepara ações para remeter ao Ministério Público Federal e ao STF (Supremo Tribunal Federal), caso o processo contra o peemedebista não tenha continuidade no Senado.
Campanha
O PSOL promete lançar nesta quarta-feira (27) a campanha "Basta de Corrupção, Fora Renan".
Segundo o partido, a idéia da campanha é estimular a sociedade a participar da discussão sobre o processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros.
O PSOL é autor da representação que deu origem ao processo contra Renan no Conselho de Ética do Senado.
Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar o aluguel e a pensão de Mônica, com quem tem uma filha fora do casamento.
Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.
Reportagem do "Jornal Nacional" lançou suspeita sobre esse ganho. A reportagem contestou autenticidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas pela defesa de Renan.
O Conselho de Ética pediu para a Polícia Federal periciar a autenticidade dos documentos apresentados por Renan.
A perícia verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma "diferença" de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.
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