Brasil
26/06/2007 - 11h07

Senador classifica de "esquadrão da morte moral" campanha "Fora Renan"

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chamou hoje de "esquadrão da morte moral" a manifestação pública do PSOL contra a sua permanência no comando da Casa Legislativa. O partido promete lançar, a partir de amanhã, uma campanha popular batizada de "Fora Renan" com a cobrança para o afastamento do presidente do Senado.

"Acho que tudo isso é um esquadrão da morte moral. São pessoas que ficam sem ter o que fazer, não têm o que apresentar à sociedade", criticou Renan. O presidente do Senado disse que não há provas de que teria utilizado recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.

"Sem provas, já anunciaram a sentença e depois não sabem o que fazer. Não me intimidarei. Resistirei até o fim", enfatizou.

Desde que surgiram as denúncias contra Renan, o senador vem utilizando frases de impacto para se defender das acusações. O senador disse, nesta segunda-feira, que "estão querendo assassinar sua honra" com novos desdobramentos sobre a sua ligação com a empreiteira Mendes Júnior.

A oposição cobra investigações sobre a movimentação financeira de Renan diante das suspeitas de que ele teria utilizado notas frias para comprovar sua receita com a venda de gado em Alagoas. Aliados do senador, por outro lado, defendem que o conselho mantenha o caso somente no âmbito das denúncias que envolvem a empreiteira.

O PSOL é autor da representação no Conselho de Ética do Senado contra Renan. O partido alega que o senador quebrou o decoro parlamentar e deve perder o mandato. Além disso, defende que Renan se afaste da presidência do Senado até que as investigações do processo estejam concluídas.

Segundo o PSOL, a idéia da campanha é estimular a sociedade a participar da discussão sobre o processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado. O partido promete fazer amanhã manifestação em frente ao Congresso Nacional para dar início à campanha.

Processo

O Conselho de Ética marcou para amanhã, às 13h30, reunião para definir o novo relator do processo contra Renan. O presidente do conselho, Sibá Machado (PT-AC), ainda não conseguiu encontrar um substituto para o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) --que está afastado do Senado por licença médica.

Sibá quer manter a relatoria com o PMDB, partido de Renan. Mas afirma que não conseguiu encontrar voluntários para o cargo na legenda depois que o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) deixou a função.

Aliados de Renan estão temerosos em assumir a relatoria diante do temor de que uma absolvição sumária repercuta de forma negativa na opinião pública.

A oposição convocou reunião de líderes no Senado para esta terça-feira com o objetivo de encontrar um relator para o caso. O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que o relator deve ser escolhido hoje "de qualquer maneira", uma vez que o Senado entrará em recesso parlamentar em julho --o que pode esfriar o caso Renan e paralisar as atividades da Casa Legislativa até lá.

 

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