Brasil
26/06/2007 - 11h23

Após denúncias, Renan manifesta solidariedade a Joaquim Roriz

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), manifestou nesta terça-feira solidariedade ao senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), acusado de negociar R$ 2,2 milhões de origem não conhecida com Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), preso na Operação Aquarela da Polícia Civil.

Renan disse que não vai "prejulgar" o senador uma vez que também é vítima de denúncias em que provas "não significam nada".

"Tenho experiência suficiente para não prejulgar ninguém, sobretudo depois do que aconteceu comigo", afirmou. Renan responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado pelas denúncias de que teria recebido dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.

Renan disse acreditar que Roriz vai apresentar sua versão para explicar as denúncias. "Ele tem dito que vai se explicar, esclarecer tudo. Acredito que ele vai esclarecer tudo."

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) cobrou hoje investigação sobre as denúncias contra Roriz, a exemplo do que vem ocorrendo com Renan. "Essa coisa do Roriz tem que ser apurada integralmente. A mesma coisa com o processo do senador Renan. Temos que apurar com rigor toda acusação", disse.

Justificativa

Em nota oficial, Roriz rechaçou nesta segunda-feira o que chamou de "tentativas criminosas de confundir uma negociação normal, sem recursos públicos, entre pessoas físicas e jurídicas privadas". Ele admite que contraiu empréstimo pessoal junto ao empresário Constantino Oliveira, presidente do conselho de administração da Gol, no valor de R$ 300 mil em 12 de março deste ano. O dinheiro, segundo o senador, foi obtido por meio de um cheque no valor de R$ 2,2 milhões oferecido pelo empresário.

Roriz alega que descontou o cheque no BRB para resgatar o valor em espécie, ficando com R$ 300 mil. O senador não menciona se devolveu o restante (R$ 1,9 milhão) ao empresário. O motivo para o empréstimo, segundo o senador, foi a necessidade de "realizar pagamento inadiável" para a aquisição de um animal, além da ajuda financeira a Benjamin Roriz, seu primo.

Do total, o senador diz que repassou R$ 271.320 para o pagamento à Associação de Ensino de Marília, para a compra de parte de uma bezerra nelore. O dinheiro, segundo Roriz, foi depositado em conta corrente no Banco do Brasil, na agência 3852-0. O restante, R$ 28.680, teria sido utilizado para socorrer financeiramente Benjamin.

Roriz disse que conversou por telefone com Tarcísio Franklin para que ele facilitasse o resgate do cheque de R$ 2,2 milhões no banco.

O senador alega que tinha pressa no resgate do dinheiro porque, se efetivasse o pagamento da bezerra até o dia 14 de março, teria desconto de R$ 260.680 no pagamento do animal.

 

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