Deputado diz que há "trapalhada" no Conselho de Ética do Senado
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), ironizou nesta terça-feira o trabalho dos senadores. Segundo ele, o Conselho de Ética do Senado "errou muito" na condução das investigações sobre o caso do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa. "Esse começo foi uma trapalhada", disse o deputado.
Renan é acusado de ter recebido dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar despesas pessoais, como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
Negando estar disposto a comprar briga com os senadores, Izar manteve a crítica: "Se eles [os senadores] quiserem conhecer como trabalhamos, estão convidados para nos visitar no Conselho de Ética. Eles erraram muito".
De acordo com Izar, o correto é evitar que o denunciado tenha o caso relatado por um parlamentar do mesmo partido ou Estado. Também condenou a demora na escolha de um relator para o caso Renan. "Em situações assim pode haver um sorteio ou uma escolha do próprio presidente", sugeriu o deputado.
Mudanças
Enquanto o Conselho de Ética do Senado não define os procedimentos que irá tomar, nesta quarta-feira, o conselho da Câmara vai se reunir para votar uma série de mudanças internas. A idéia é dar mais agilidade aos processos encaminhados ao órgão, ganhar poderes para convocação, e não apenas convites, e ainda aumentar o número de membros.
Izar disse ainda que aguarda decisão da Corregedoria Geral da Câmara sobre casos que aguardam conclusão de investigações internas, entre eles os mais recentes, como o do deputado Mário de Oliveira (PSC-MG), acusado de ter encomendado o assassinato do colega Carlos Willian (PTC-MG), e dos três parlamentares citados na Operação Navalha da PF --Paulo Magalhães (DEM-BA), Maurício Quintella Lessa (PR-AL) e Olavo Calheiros (PMDB-AL).
O presidente do Conselho de Ética disse ainda que pretende discutir a possibilidade de o órgão ter autorização da Casa para trabalhar durante o recesso legislativo --quando a Câmara suspende votações e discussões, mantendo apenas uma comissão representativa de parlamentares.
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