Aliados de Renan pressionam Sibá a desistir de presidência do Conselho de Ética
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pressionam o senador Sibá Machado (PT-AC) a renunciar à presidência do Conselho de Ética. A medida faz parte da estratégia de protelar as investigações sobre Renan, acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar aluguel e pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Diante da pressão, Sibá admitiu nesta tarde que pode renunciar à presidência do conselho se amanhã não houver avanços no processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador.
A Folha Online apurou que Sibá recebeu telefonemas de líderes petistas e de emissários do Palácio do Planalto com sugestões para renunciar ao cargo. Sibá ficou hoje reunido por mais de três horas com a bancada do PT para discutir o caso Renan e seus desdobramentos. Também participaram do encontro líderes peemedebistas favoráveis à protelação do processo.
Os aliados do presidente do Senado acreditam que se o Conselho de Ética não colocar em votação o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) nos próximos dias, o Congresso poderá entrar de recesso em julho sem que o caso esteja solucionado.
Com o afastamento de Sibá, seria criado um novo impasse para a escolha do novo presidente --o que na prática retardaria o processo. Aliados de Renan também temem que Sibá adote uma postura mais "independente" diante da pressão da opinião pública por investigações mais detalhadas sobre Renan --e por isso estariam defendendo o seu afastamento.
Sibá nega que tenha recebido pressão para deixar o cargo. O senador disse, ainda, que não participa de nenhum movimento que tenha como objetivo inocentar Renan das denúncias.
"Eu não estou na mão de ninguém, sei muito bem da minha responsabilidade. Não estou enterrando absolutamente nada, estou dando prosseguimento a uma formalidade", justificou.
O senador disse que colocará em votação amanhã o relatório de Cafeteira que inocenta Renan das denúncias. A declaração de Sibá não agradou os aliados de Renan que admitem, nos bastidores, uma possível derrota do relatório no Conselho de Ética.
Relatoria
A pressão sobre Sibá teve início desde que tiveram início as negociações para a escolha de um novo relator para o caso Renan. O presidente do conselho disse hoje que encaminhou às lideranças partidárias pedido para que indicassem possíveis relatores.
Sibá afirmou que o PMDB, partido de Renan, deveria ficar com a relatoria do caso uma vez que o PT estaria "impedido" por já ser titular da presidência do órgão.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), disse que cabe ao presidente do Conselho de Ética a escolha do relator. Raupp disse que vai consultar a bancada do partido até o final do dia para tentar encontrar um relator, mas lembrou que na semana passada somente o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) se mostrou disponível.
Com a pressão da oposição por um relator, aliados de Renan admitiram nos bastidores que não podem postergar ainda mais a escolha do substituto de Cafeteira.
Salgado ficou menos de 24 horas na relatoria depois que o conselho adiou a votação do processo contra Renan. Em meio ao impasse, Sibá chegou a afirmar que faria uma chamada nominal amanhã no conselho para escolher um novo relator. Mas hoje disse que colocará o texto de Cafeteira em votação "com ou sem relator" e com a ameaça de deixar a presidência do conselho.
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