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Brasil
26/06/2007 - 21h42

Ministério da Integração Nacional pede reintegração de área invadida em PE

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CÍNTIA ACAYABA
da Agência Folha
FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Cabrobó (PE)

Manifestantes contrários ao desvio das águas do rio São Francisco invadiram hoje uma área em Cabrobó (PE), onde o Exército começou as obras de transposição, para pedir a revogação do projeto. O Ministério da Integração Nacional informou que as obras vão continuar independentemente da manifestação e já pediu a reintegração de posse das terras.

Os manifestantes reivindicam a imediata suspensão da obra de transposição (iniciada no dia 5 de junho), a entrega de parte das terras ao povo indígena trucá e obras para o aproveitamento do período chuvoso do semi-árido.

De acordo com os organizadores da manifestação, cerca de 1.200 pessoas ligadas a movimentos sociais, sindicatos e comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, de seis Estados, chegaram à cidade pernambucana em 20 ônibus e carros particulares por volta das 2h de hoje.

O grupo ergueu barracas de lona plástica, que formaram um grande círculo no canteiro de obras, a cem metros da margem do rio São Francisco, próximo ao km 29 da BR-428.

De acordo com a CPT (Companhia Pastoral da Terra), a área onde foi montado o acampamento integra três fazendas desapropriadas pelo governo federal. Não houve confronto durante a invasão --os militares do Exército estavam do lado de fora da fazenda e só apareceram mais tarde ao local para retirar dois tratores. A Polícia Militar só acompanhou o ato.

Os manifestantes pretendem ficar na área por tempo indeterminado.

Na área invadida está sendo feita a medição topográfica que antecede o início da construção do primeiro dos dois canais que vão desviar parte das águas do rio por centenas de quilômetros, para os Estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

Acampamento

No portão de entrada da fazenda Mãe Rosa, que integra a área desapropriada pela União, de dez a 15 invasores formam uma equipe de vigilância que solicita a identificação das pessoas. O acesso ao local é restrito e a placa de todos os veículos que entram na fazenda é anotada. Os acampados receberam uma pulseira verde de papel, que serve para o livre trânsito na área. Apenas as lideranças são orientadas a falar.

Uma grande cozinha foi montada no acampamento e longas filas se formam na hora das refeições. Todas as instruções são passadas por um carro de som.

No início da noite, índios da etnia trucá dançaram e cantaram ao redor de uma fogueira com trajes típicos. Lideranças dos trucá reivindicam terras que foram desapropriadas.

"Essa é uma área indígena desde 1645. Historicamente, meu povo sempre viveu aqui", disse o cacique dos trucá Aurivan dos Santos Barros, 34, da tribo na ilha de Assunção (PE).

Os manifestantes divulgaram hoje o manifesto "O Nordeste é viável sem transposição e com ética na política" para expor as reivindicações do grupo.

Outro lado

"Nós queremos um diálogo, sim, mas o governo, pelo menos na minha área, não pode ficar refém absolutamente de ninguém. Não se pode começar um diálogo com um 'exigimos que pare a obra'", disse o ministro Geddel Vieira Lima. O Ministério da Integração Nacional enviou um interlocutor para Cabrobó.

 

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