Polícia busca provas de corrupção no governo de Zeca do PT
HUDSON CORRÊA
da Agência Folha, em Campo Grande
O grupo de combate ao crime organizado de Mato Grosso do Sul, formado pelo MPE (Ministério Público Estadual) e as polícias Civil e Militar, fez ontem nove buscas e apreensões para apurar suposto "grande esquema de corrupção de 1999 a 2006", baseado em caixa dois, na gestão do ex-governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT.
O desvio de dinheiro seria de 5% a 10% das verbas de publicidade. Nessa área, a gestão do petista gastou cerca de R$ 2 milhões por mês nos últimos três anos, informou o atual governo. A estimativa indica que o suposto desvio pode chegar a R$ 7,2 milhões nos últimos três anos.
O MPE, que não fala em valores, encaminhou ontem ao governador André Puccinelli (PMDB) recomendação para não pagar as dívidas, no valor de R$ 10 milhões, com agências de publicidade deixadas pelo governo anterior.
Ontem foram apreendidos um computador e um notebook, além de documentos, na casa e no escritório de Raufi Marques, ex-secretário de Governo de Zeca do PT.
A investigação do MPE iniciada em maio está baseada em uma conversa, gravada em DVD, da ex-funcionária da secretaria de Governo Ivanete Leite Martins com o empresário Adair Martins, do jornal "Diário do Pantanal". A Folha teve acesso ao DVD.
Ivanete diz que, de 2003 a 2004, o ex-secretário de Governo e atual deputado estadual Paulo Duarte (PT) recebia 10% dos gastos. O valor seria repassado a ele pelas agências de publicidade.
Depois de 2004, a comissão caiu a 5% para o ex-secretário Marques, que sucedeu Duarte, disse Ivanete. Segundo ela, Zeca do PT sabia do esquema.
Na gravação, ela diz que resolveu falar porque, após o fim da gestão petista, não conseguiu de membros do antigo governo ajuda para mãe, que acabou morrendo.
Na casa da irmã de Ivanete, foram apreendidos ontem três sacos de documentos com notas fiscais e dados sobre pagamento de publicidade.
Outro lado
Marques disse que ficou surpreso com a operação de ontem porque já tinha procurado o MPE para colaborar na investigação. Ele nega participação no suposto esquema. "Apreenderam um computador do meu filho e o notebook da família."
Duarte, deputado estadual, nega saber do esquema e informou, via assessoria, que pedira anteriormente ao MPE a apuração do caso.
Zeca do PT não telefonou de volta. A reportagem ligou duas vezes para sua secretária e também para o responsável pela segurança do ex-governador.
Leia mais
- PSB afastará deputado do partido em MS citado em investigações da PF
- Blairo dá pensão a ex-vice que governou por 40 dias
- Para ministra do STF, pensão vitalícia a Zeca do PT é inconstitucional
- Zeca do PT, parceiro de Dirceu, concedeu benefícios a empresas de combustível
- Zeca do PT consegue liminar para receber pensão vitalícia de R$ 22,1 mil
- Puccinelli suspende pensão vitalícia de Zeca, e petista entra na Justiça
Especial

