Renan se reúne com Lula para pedir apoio e diz que verdade vai prevalecer
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se reuniu nesta quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. No encontro, que durou cerca de 40 minutos, Renan pediu o apoio de Lula neste momento em que é alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado.
Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar aluguel e pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
A Folha Online apurou que Renan disse a Lula que a "verdade vai prevalecer". Renan afirmou ainda que vai provar que é inocente de todas as acusações.
De acordo com lideranças do PMDB, o presidente Lula teria manifestado solidariedade a Renan. O Planalto não confirma.
De Lula, Renan teria ouvido cobranças em relação ao funcionamento do Senado. O presidente Lula teria manifestado preocupação com a possível paralisação da Casa em meio ao processo que atinge Renan. Mas o presidente do Senado afirmou a Lula que a Casa está funcionando. Exemplo disso seria a votação de duas MPs (medidas provisórias) na semana passada. Renan disse ainda que pretende votar mais quatro MPs nesta semana.
O encontro entre o peemedebista e Lula ocorreu nesta manhã, antes de Renan chegar ao Congresso. Ao chegar ao seu gabinete, Renan disse que não adianta o Conselho de Ética da Casa fingir que está cumprindo seu papel e criticou os partidos que fazem seu julgamento sem considerar os fatos, apenas a questão política.
"Não adianta o Conselho de Ética fingir que está cumprindo seu papel e não fazê-lo na plenitude, e ficar nesta zona cinzenta, que não é boa para a democracia, para o Senado, nem para mim e o Brasil", disse.
O peemedebista fez uma referência indireta à posição defendida pelo DEM para que ele se afaste da presidência do Senado durante as investigações, mas não citou o partido nem nomes de parlamentares.
Crise
A crise no Conselho de Ética do Senado foi agravada pela renúncia do seu presidente, Sibá Machado (PT-AC). Agora, o conselho está sem presidente e sem relator para o processo contra Renan. O relator Epitácio Cafeteira (PTB-MA) está afastado por problemas de saúde.
O substituto dele, Wellington Machado (PMDB-MG) renunciou ao posto em protesto ao adiamento da votação do relatório de Cafeteira, que inocenta Renan.
A Folha Online apurou que a renúncia de Sibá teria sido articulada por aliados de Renan, inclusive os de dentro do Planalto. O objetivo era adiar o processo e dessa forma esfriar o clima de denúncia contra Renan.
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