Renan nega ter pedido apoio a Lula e diz que não permitirá politização
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro no Palácio do Planalto que não vai permitir a "politização" do Senado em meio à crise política que atinge a instituição.
Renan, que responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado, garantiu que não pediu apoio ao presidente para o desenrolar das investigações.
"Eu não conversei com o presidente sobre solidariedade. Eu conversei com o presidente sobre a necessidade de o Brasil trabalhar, do Senado votar, de nós não permitirmos a politização da Casa porque isso, se acontecer, será em descompasso do país", afirmou.
Renan disse concordar com a indicação do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) para a presidência do Conselho de Ética do Senado. Mas ressaltou que a decisão sobre o novo presidente deve ser do próprio conselho.
"O Arthur Virgílio é um grande quadro, um grande amigo e um dos maiores oradores do Senado e reúne todas as condições para exercer qualquer cargo. Mas eu não vou entrar na discussão do conselho", ressaltou.
O senador tucano lançou hoje seu nome para a presidência do Conselho de Ética e disse que, se for eleito, indicará o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para a relatoria do processo contra o presidente do Senado.
Segundo Renan, Mercadante também é um "grande quadro" do Senado, mas evitou comentar diretamente a possibilidade de o petista se tornar o relator do processo.
Renan reiterou inocência nas denúncias de que teria utilizado recursos da empreiteira Mendes Junior para pagar pensão e aluguel à jornalista Monica Veloso, com quem Renan tem uma filha.
"Não pode haver o julgamento político baseado em mentira. Já disseram e eu queria repetir que toda grande mentira aumenta a chance do povo acreditar nela. O Brasil democrático que nós queremos não comporta isso", afirmou.
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