Brasil
27/06/2007 - 18h22

PMDB veta nome de Virgílio e cria impasse no Conselho de Ética do Senado

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A bancada do PMDB se opôs à indicação do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) para a presidência do Conselho de Ética do Senado. O tucano ocuparia o lugar de Sibá Machado (PT-AC), que renunciou ao posto e à vaga no conselho em meio à análise do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O PMDB alega que como maior bancada do Senado tem direito a indicar um nome para a presidência do Conselho de Ética. Entre os argumentos dos peemedebistas é que o o cargo é definitivo, não é temporário, e por isso precisa ficar com a maior bancada.

Lideranças do partido disseram à Folha Online que aceitam um petista na presidência do conselho, mas não um senador de oposição.

Essas lideranças afirmaram que até aceitam a indicação do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para presidir o conselho. O problema é que Mercadante relutaria em aceitar o posto. O partido tenta convencê-lo a aceitar a relatoria do caso Renan.

Em meio a esse impasse, o PMDB articula a indicação do senador Almeida Lima (PMDB-SE) para presidir o conselho.

Caso Renan

Renan é acusado de receber recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.

O Conselho de Ética decidiu adiar a votação do relatório para aprofundar as investigações contra Renan após o surgimento de índicios de irregularidades nos documentos apresentados pelo senador para se defender das acusações de ter usado Gontijo para pagar suas depesas com Mônica.

Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.

Reportagem do "Jornal Nacional" contestou autenticidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas pela defesa de Renan.

O Conselho de Ética pediu então para a Polícia Federal periciar a autenticidade dos documentos apresentados por Renan.

A perícia verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma "diferença" de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.

 

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