Roriz se antecipa à investigação e encaminha defesa prévia a Tuma
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Antecipando-se às investigações da Corregedoria Geral do Senado, o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) enviou hoje sua "defesa prévia", como definiu o corregedor-geral, Romeu Tuma (DEM-DF). A iniciativa do ex-governador do Distrito Federal ocorreu depois de Tuma comentar que restavam poucas dúvidas sobre a gravidade das denúncias que o envolvem.
Sem aparecer em seu gabinete no Senado desde que as acusações vieram à tona, Roriz é alvo de críticas dos colegas senadores. Os parlamentares cobram dele explicações públicas e afirmam que estranham o fato de optar por ficar em casa, nos últimos dias.
Para o corregedor, apenas os documentos enviados por Roriz --colocados em um envelope entregue na tarde de hoje-- não são suficientes e ele vai buscar mais informações no Ministério Público do Distrito Federal. "Ele [Roriz] encaminhou os documentos e fez uma espécie de defesa prévia", disse Tuma.
Roriz é suspeito de ter negociado a partilha de dinheiro. Nas escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, ele e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Tarcísio Franklin de Moura negociam supostamente a partilha de R$ 2,2 milhões --de origem desconhecida-- no escritório do empresário Constantino de Oliveira, conhecido como Nenê, presidente do Conselho de Administração da Gol. Em nota oficial, o senador rebateu as acusações.
O ex-governador admitiu ter pedido R$ 300 mil a Constantino para comprar uma bezerra.
Segundo ele, o dinheiro foi obtido por meio de um cheque no valor de R$ 2,2 milhões oferecido pelo empresário. O peemedebista teria descontado o cheque no BRB para resgatar o valor em espécie, ficando com R$ 300 mil.
Reações
A ausência de Roriz no Senado e seu silêncio em meio às denúncias estimulam as críticas. Nem o PMDB, que é o partido do senador, escapa do coro que faz cobranças. "A nota oficial que ele [Roriz] apresentou não é auto-explicativa. É muito estranho o fato de ele não ter aparecido aqui até hoje. As denúncias são gravíssimas", afirmou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).
De forma parecida pensa o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN): "O tempo dele está se esgotando".
Adversário político de Roriz no Distrito Federal, o senador Cristovam Buarque (PDT) disse que o ex-governador deveria ter se manifestado assim que as denúncias surgiram, mas disse evitar criticá-lo para que Roriz não afirme que a questão é política. "O problema é de ética, não é de política", disse.
O líder do PSOL no Senado, José Nery (PA), reiterou que amanhã seu partido vai ingressar com uma representação contra Roriz no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro parlamentar.
Mais informações
Em busca de mais informações sobre o caso Roriz e os desdobramentos da Operação Aquarela --deflagrada pela Polícia Civil do DF que descobriu desvio de recursos do BRB, prendendo 19 pessoas, entre elas o ex-presidente da instituição--, Tuma marcou uma conversa para amanhã com o procurador do Distrito Federal Leonardo Azeredo Bandarra.
A idéia de se reunir com os delegados que comandaram a operação e com o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, foi descartada por Tuma. Segundo ele, os principais dados estão com o Ministério Público.
Reconduzido para mais um mandato de dois anos no Ministério Público, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, deu a entender hoje que poderá representar contra Roriz ao STF (Supremo Tribunal Federal).
"Há elementos para que o Ministério Público se debruce sobre o tema e eventualmente adote as providências que devem ser tomadas", disse o procurador.
Leia mais
- Procurador-geral diz que há elementos para investigar Joaquim Roriz
- Suspeita sobre BRB se estende a Nossa Caixa
- Primo de Roriz pede afastamento do governo do DF
- PMDB quer enterrar investigação contra Roriz e condena clima de "inquisição"
- PSOL decide entrar com processo contra Roriz por quebra de decoro parlamentar
Especial

