Brasil
28/06/2007 - 09h16

Senador da base aliada define hoje se aceita relatar caso Renan

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da Folha Online, em Brasília

O senador Renato Casagrande (PSB-ES), indicado para a relatoria do processo contra o presidente da Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve decidir nesta quinta-feira se aceita o convite.

O novo presidente do Conselho de Ética da Casa, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), indicou ontem Casagrande para relatar o caso, mas o senador pediu um tempo para "pensar" na proposta.

Quintanilha assumiu a presidência do conselho em substituição ao senador Sibá Machado (PT-AC), que renunciou ao cargo anteontem, em meio ao impasse político para a escolha do relator no processo contra Renan.

Nos bastidores, Casagrande já havia admitido que aceitaria a função se fosse indicado pelo novo presidente. Ao conselho, o senador disse que pretende dar a resposta oficialmente hoje.

"O senador Quintanilha me surpreendeu. Nós não tínhamos conversado antes sobre a minha indicação. Eu só tenho condições de dar resposta depois de uma conversa com o senador Quintanilha", afirmou.

Casagrande reconheceu que o conselho tem "pressa para retomar a discussão do processo contra Renan, mas disse que precisa detalhar procedimentos antes de aceitar o cargo em definitivo. "Sei da pressa desse conselho, do tempo que temos que recuperar devido aos desencontros e situação que vivenciamos nos últimos dias. Vamos conversar e tratar das questões referentes ao conselho", afirmou.

A indicação de Casagrande teve o apoio de senadores do governo e da oposição. O senador vem adotando uma postura mais "independente" no caso mesmo sendo da base aliada do governo.

O senador já se mostrou favorável a investigações mais profundas sobre a movimentação financeira de Renan, enquanto o grupo que apóia o presidente do Senado defende que o conselho concentre suas investigações apenas nas denúncias de que Renan utilizou dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.

Quintanilha marcou nova reunião do conselho para a próxima terça-feira. O processo contra Renan está parado desde a semana passada, quando o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) renunciou à relatoria do caso alegando problemas de saúde.

Além da falta de relator, o conselho também decidiu adiar a votação do relatório depois do surgimento de indícios de irregularidades nos documentos apresentados pelo senador para se defender das acusações de ter usado Gontijo para pagar suas despesas com Mônica.

Para comprovar que seus rendimentos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado. Gravações realizadas pela jornalista de conversas com Renan revelariam, segundo reportagem da TV Globo, que o senador não tem recursos suficientes para arcar com a pensão alimentícia à Mônica Veloso.

 

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