Brasil
28/06/2007 - 12h04

Perto de Renan, Lula diz que todos são inocentes até que se prove o contrário

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Sem mencionar nomes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que "todos são inocentes até que se prove o contrário". Lula ficou ao lado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), durante a maior parte da cerimônia de posse do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, nesta quinta-feira.

"Todos são inocentes até que se prove o contrário. O julgamento tem que ser feito com lisura para que não se cometa nenhum erro em nenhuma de nossas instituições", disse Lula.

Renan é acusado de usar um lobista da Mendes Júnior para pagar despesas pessoais. O caso está sendo analisado pelo Conselho de Ética do Senado.

Questionado sobre a presença de Renan no evento, Souza negou sentir-se constrangido ou intimidado.

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que é preciso respeitar os direitos individuais. "Acho que se aplica a todos nós brasileiros, nós que somos inclusive a velha geração, que participou das lutas de resistência", respondeu ela.

Ao ser questionada sobre o caso Renan, Dilma disse: "A ditadura sabe perfeitamente o que significa o respeito aos direitos individuais da pessoa humana, que é o direito de defesa e o direito de todos nós iguais perante a lei. E o fato de que ninguém é culpado até que se prove que ele é culpado. E ele [Renan] é inocente, essa é a presunção".

Renan se reuniu ontem, por cerca de 40 minutos, com o presidente Lula no Palácio do Planalto. Ele negou ter pedido o apoio de Lula.

Caso Renan

Renan é acusado de receber recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.

O Conselho de Ética decidiu adiar a votação do relatório para aprofundar as investigações contra Renan após o surgimento de índicios de irregularidades nos documentos apresentados pelo senador para se defender das acusações de ter usado Gontijo para pagar suas depesas com Mônica.

Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.

Reportagem do "Jornal Nacional" contestou autenticidade das notas fiscais de venda de gado apresentadas pela defesa de Renan.

O Conselho de Ética pediu então para a Polícia Federal periciar a autenticidade dos documentos apresentados por Renan.

A perícia verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma "diferença" de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.

 

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