Brasil
28/06/2007 - 19h19

Após discursar no Senado, Roriz ajoelha e reza na Catedral de Brasília

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Dizendo-se católico praticante, o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) deixou hoje o Senado e seguiu direto para a Catedral de Brasília. O ex-governador do Distrito Federal chegou à igreja --um dos cartões postais da capital federal-- e ajoelhou-se para rezar. Fez o sinal da cruz, fechou os olhos e demonstrou ficar concentrado por algum tempo.

Lula Marques/Folha Imagem
Senador Joaquim Roriz ajoelha e reza depois de apresentar defesa na tribuna do Senado
Senador Joaquim Roriz ajoelha e reza depois de apresentar defesa na tribuna do Senado

Roriz cumpriu com a promessa que fez no plenário nesta quinta-feira. Após discursar para uma platéia de dez senadores, o peemeebista afirmou que iria ajoelhar e rezar. Acusado de ter participado de uma negociação para partilha de dinheiro com Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), ele negou as denúncias.

Por quase uma hora, Roriz ameaçou chorar: embargou a voz, emocionou-se e gaguejou. Disse ser um homem de fé. Afirmou que, nos últimos dias desde que as denúncias contra ele vieram à tona, reza constantemente.

A santa de devoção de Roriz é Nossa Senhora: "Como sofri essa semana. Confesso que chorei e rezei muito. Sou um homem temente a Deus. Vou à missa todos os domingos".

O peemedebista foi denunciando a partir de investigações realizadas pela Polícia Civil do Distrito Federal na Operação Aquarela. A ação policial conseguiu desbaratar um esquema de desvios de recursos no BRB. A acusação é que o ex-governador do Distrito Federal teria negociado R$ 2,2 milhões de origem não conhecida.

Em escutas telefônicas de 13 de março, realizadas com autorização judicial, o senador foi gravado supostamente combinando a partilha de dinheiro com Moura. Mas também há menções a Constantino de Oliveira, conhecido como Nenê, presidente do conselho Administrativo da Gol.

O assunto será investigado pelo Senado, segundo o corregedor-geral da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP), e o líder do PSOL, José Nery (PA), que encaminhou requerimento ao Conselho de Ética propondo abertura de processo por quebra de decoro.

 

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