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Brasil
28/06/2007 - 19h31

Após mal-estar, Quintanilha refaz convite para Casagrande assumir relatoria

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Na tentativa de desfazer o mal-estar com o senador Renato Casagrande (PSB-ES), o presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), refez o convite para o colega assumir a relatoria do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Quintanilha telefonou no início da noite desta quinta-feira para Casagrande para afirmar que não retirou o convite para ele assumir a relatoria, apenas manteve a decisão de escolher o relator na terça-feira.

Um pouco antes, Casagrande saiu de um encontro com Quintanilha dizendo que o convite para a relatoria havia sido retirado. Quintanilha disse que não retirou o convite, mas que precisava consultar a assessoria jurídica da Casa para apurar eventuais erros no processo antes de designar um novo relator para o caso.

A Folha Online apurou que Quintanilha voltou atrás depois de perceber o desgaste que o recuo provocaria na imagem de Renan. O PMDB, que nos bastidores trabalhou para impedir que Casagrande assumisse o cargo, decidiu manter o convite até a próxima sessão do conselho --marcada para terça-feira.

Casagrande, por sua vez, não prometeu a Quintanilha que assumirá a relatoria do processo. O senador disse a interlocutores que não aceitará o cargo enquanto permanecer o clima de incerteza sobre as futuras ações do conselho.

Membro da base aliada do governo, Casagrande deixou claro que não pretende assumir a relatoria se não tiver autonomia para conduzir as investigações de forma independente --sem pressões dos aliados de Renan.

O "desconvite" foi feito depois de Casagrande ter aceito relatar o caso. O problema é que Casagrande impôs condições para sua atuação ao afirmar ser favorável à ampliação das investigações sobre Renan --incluindo as movimentações financeiras do presidente do Senado. Esse posicionamento desagradou aliados do senador Renan, que querem restringir o caso à denúncia relacionadas à empreiteira Mendes Júnior.

Críticas

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) considerou uma "indecência, imoralidade e chicana" o desconvite de Quintanilha a Casagrande.

Na opinião de Demóstenes, está claro que aliados de Renan agiram para evitar investigações mais rigorosas sobre o senador.

"Querem arrumar um relator que faça o serviço sujo e o senador Casagrande não aceitou. O conselho está fazendo o que o investigado quer. Todos os que arrumam para a presidência do conselho estão trabalhando para que haja absolvição [de Renan]", afirmou.

 

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