Nilton Servo diz que foco nele é devido a suposta amizade com Lula
HUDSON CORRÊA
da Agência Folha, em Campo Grande
O empresário de jogos Nilton Cezar Servo, preso na Operação Xeque-Mate sob a suspeita de comandar a máfia dos caça-níqueis, afirmou hoje que "dão muito enfoque" a ele devido a sua suposta amizade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Servo está preso desde o dia 5 de junho. Hoje, o empresário foi interrogado pelo juiz da 5ª Vara Federal de Campo Grande, Dalton Kita Conrado.
Ao sair do depoimento, que durou quatro horas e meia, Servo negou à imprensa que comande uma máfia de caça-níqueis. Disse que apenas alugava máquinas caça-níqueis.
O empresário disse ainda que o juiz não fez perguntas sobre Lula nem a respeito de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente.
A Polícia Federal indiciou, durante a Operação Xeque-Mate, Vavá sob suspeita de tráfico de influência e exploração de prestígio. Segundo a PF, Vavá pedia dinheiro a Servo para fazer lobby em órgãos públicos.
Servo disse que emprestou R$ 6.000 no início do ano a Vavá por amizade. O irmão do presidente disse em depoimento que foram R$ 2.000.
Vavá não foi denunciado pelo MPF. O juiz enviou o caso dele à Justiça Federal de São Bernardo do Campo (SP) --onde o irmão do presidente mora--, que pode ou não pedir mais investigação sobre o suposto lobby.
O MPF (Ministério Público Federal) denunciou Servo por corrupção de policiais, contrabando de componentes de caça-níqueis, formação de quadrilha e falsidade ideológica.
Esse último crime é porque, segundo a PF, Servo era sócio de Dario Morelli Filho, compadre de Lula, em uma casa de jogos em Ilhabela (SP), aberta em nome de laranja.
Também preso na Xeque-Mate, Dario Morelli, denunciado por formação de quadrilha, contrabando e falsidade ideológica, foi posto em liberdade.
Questionado sobre o motivo de Morelli estar solto e ele não, Servo mencionou Lula. "Acontece que fizeram muito enfoque com relação à minha pessoa, principalmente, enfoque político, pelo meu relacionamento, pela minha amizade com o presidente da República, com pessoas ligadas a ele, como a família dele, o Dario Morelli e outras tantas pessoas."
Em entrevista no pátio da PF na semana passada, próximo à cela onde está preso, Servo disse que falou com Lula no início de 2003 por telefone, na casa do presidente em São Bernardo do Campo, pedindo a regularização dos bingos. Lula, segundo Servo, disse que encaminharia o caso ao Ministério dos Esportes.
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