Desconvidado diz que acusações contra Quintanilha geram "instabilidade"
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), que foi "desconvidado" para a relatoria do processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética do Senado, disse hoje que as acusações contra o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) geram "instabilidade" no conselho. "Não quero prejulgar porque não conheço o teor do processo. Mas isso gera mais instabilidade no Conselho de Ética", disse.
Presidente do Conselho de Ética eleito na última quarta-feira, Quintanilha teria recebido propina em troca de emendas ao Orçamento destinadas a obras em 1998, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira pela Folha.
O alvo de investigação da Procuradoria Geral da República, segundo a reportagem, são três emendas do senador, do ano de 1998, que somam R$ 280 mil. A acusação gerou dois inquéritos sigilosos no STF (Supremo Tribunal Federal).
Sobre as investigações do conselho no caso Renan, Casagrande disse que "forças externas" estão agindo no trabalho do órgão. "Há forças externas agindo contra o Conselho de Ética. Não sei quem são, mas elas existem. Já tivemos uma renúncia de um presidente do Conselho de Ética e a renúncia de um relator", disse.
O presidente do conselho, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), chegou a convidar Casagrande para a relatoria mas voltou atrás nesta quinta-feira. Líderes do PMDB fizeram forte pressão para que Quintanilha recuasse do convite depois que Casagrande disse estar disposto a promover uma ampla investigação sobre Renan.
O senador reiterou hoje disposição em investigar de forma detalhada as denúncias contra Renan se vier a assumir a relatoria --uma vez que Quintanilha, depois de "desconvidá-lo", voltou atrás e manteve a proposta para o cargo. Mas o senador disse que só está disposto a aceitar novamente o convite se tiver liberdade para promover as investigação com autonomia, sem a pressão dos aliados de Renan.
"Se essa consulta restringir os limites [da investigação] do conselho, vou ter de avaliar, porque as denúncias precisam ser investigadas", afirmou.
Quintanilha assumiu a presidência do conselho em substituição ao senador Sibá Machado (PT-AC), que renunciou ao cargo na terça-feira, em meio ao impasse político para a escolha do relator no processo contra o presidente do Senado.
Renan é acusado de receber dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso, com quem o presidente do Senado tem uma filha.
Leia mais
- Após mal-estar, Quintanilha refaz convite para Casagrande assumir relatoria
- Tarso diz que espera que Renan seja inocente e defende direito de defesa
- PMDB retira convite para Casagrande assumir relatoria do caso Renan
- Quintanilha nega "desconvite" e diz que caso Renan continua sem relator
- Perto de Renan, Lula diz que não há nada pior do que condenação sem crime
Especial

