Líder do governo sai em defesa de Quintanilha; Cristovam vê falta de isenção
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), saiu hoje em defesa do presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), nas denúncias de que o senador teria recebido propina para facilitar a liberação de emendas ao Orçamento. Na opinião de Jucá, as acusações não impedem que ele permaneça à frente do conselho.
"Não há nenhum impedimento para o senador Quintanilha assumir a presidência do conselho. Temos que ter cuidado ao levantar essas questões", afirmou.
Apesar de Quintanilha ser um dos principais aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e de responder a processos no Ministério Público Federal e no STF (Supremo Tribunal Federal) pelas denúncias, Jucá disse que ele deve conduzir o processo contra o presidente do Senado. "Ele tem toda legitimidade para conduzir o processo", afirmou.
Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que Quintanilha não tem a "isenção" de agir como presidente do conselho no processo contra Renan. "O presidente não tem a isenção nem está acima das suspeitas que é preciso ter alguém que é presidente do Conselho de Ética", disse.
Cristovam explicou que não poderia, por exemplo, ser presidente do conselho para apurar denúncias contra o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) uma vez que os dois são adversários políticos no Distrito Federal --da mesma forma que Quintanilha é aliado de Renan. "Eu estaria sob suspeita de ter interesses partidários contra ele", afirmou.
Acusações
Com base em recibo e perícia apontando fraudes em quatro licitações, o Ministério Público Federal acusa o novo presidente do Conselho de Ética do Senado de receber propina em troca de emendas ao Orçamento destinadas a obras em 1998, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira pela Folha.
O alvo de investigação do Ministério Público, segundo a reportagem, são três emendas do senador, do ano de 1998, que somam R$ 280 mil. A acusação gerou dois inquéritos sigilosos no STF (Supremo Tribunal Federal).
A Folha teve acesso aos documentos que levaram a Procuradoria acusar Quintanilha de destinar emendas a obras para depois receber parte do dinheiro em forma de propina. Os desvios, de acordo com o Blog do Josias, foram estimados pelo Ministério Público em pelo menos R$ 25 milhões.
Quintanilha assumiu a presidência do conselho em substituição ao senador Sibá Machado (PT-AC), que renunciou ao cargo na terça-feira, em meio ao impasse político para a escolha do relator no processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
A oposição tentou um acordo com a base aliada e lançou o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) na disputa pela presidência do conselho. Os governistas, no entanto, recusaram o acordo porque temiam que Virgílio pudesse endurecer as investigações sobre o presidente do Senado.
Renan é acusado de receber dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso, com quem o presidente do Senado tem uma filha.
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