Mesa do Senado decide sobre instalação de processo contra Roriz
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Mesa Diretora do Senado, presidida pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), deve decidir nesta semana o encaminhamento da representação elaborada pelo PSOL contra o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) por quebra de decoro parlamentar. Roriz é acusado de ter negociado a partilha de dinheiro de origem ignorada com um ex-assessor. Uma vez enviado ao conselho será instaurado o processo por quebra de decoro parlamentar e o ex-governador do DF não poderá mais renunciar.
"Desta semana não pode passar. É necessário que a Mesa Diretora do Senado encaminhe o mais rápido o possível o processo e o Conselho de Ética designe logo o relator para o caso. É assim que tem de funcionar", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que é integrante do conselho.
No entanto, a assessoria da Secretaria Geral da Mesa Diretora do Senado informou que não há prazo fixo para encaminhar a representação do PSOL ao Conselho de Ética. Renan pode fazê-lo ainda hoje ou em qualquer data futura.
Com a pressão contra o presidente do Senado, que responde a processo por quebra de decoro no Conselho de Ética, a expectativa é que Renan não demore a remeter o processo ao conselho para sair do foco dos senadores. Renan é acusado de ter utilizado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
Articulações
A Folha Online apurou que, paralelamente, Roriz examina a hipótese de renunciar ao mandato parlamentar para, assim, escapar da possibilidade de ser cassado e ficar inelegível por oito anos. Reunido com assessores pela manhã, e com o advogado Everardo Ribeiro, o ex-governador analisa quais são as melhores alternativas para evitar o processo que pode levar à perda de mandato.
Segundo reportagem desta segunda-feira da Folha, Roriz estuda renunciar em bloco junto com o primeiro suplente, Gim Argello, e o segundo, Marcos de Almeida Castro --de quem teria partido a proposta. A saída tornaria obrigatória nova eleição para senador no Distrito Federal.
Roriz é acusado de ter negociado R$ 2,2 milhões de origem não conhecida. Conversas gravadas em 13 de março, com autorização judicial, registraram o senador supostamente combinando partilha de dinheiro com Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do BRB.
O senador alega que usou apenas R$ 300 mil do total --parte do dinheiro para comprar uma bezerra e o restante para socorrer um amigo em dificuldades financeiras.
Reportagem da revista "Veja" diz que Roriz teria utilizado parte dos R$ 2,2 milhões para subornar juízes do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que julgaram ação contra o senador nas eleições do ano passado.
De acordo com senadores que acompanham o caso, Roriz tem informações de que investigações --ainda não concluídas pelo MPF (Ministério Público Federal)-- sinalizam que há indícios de envolvimento do peemedebista com supostas irregularidades apuradas durante a Operação Aquarela, realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal.
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