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Brasil
02/07/2007 - 13h03

Procurador abre investigação sobre Roriz e dá 20 dias para senador se explicar

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RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, abriu procedimento administrativo contra o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) --flagrado em conversas telefônicas com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura. Na conversa, Roriz combina com Moura a partilha de R$ 2,2 milhões no escritório do empresário Nenê Constantino, presidente do conselho de administração da Gol.

Souza deu 20 dias de prazo para Roriz explicar a suposta partilha de dinheiro. A defesa não é obrigatória e pode ser encaminhada por escrito.

Se o procurador entender que Roriz cometeu irregularidade, ele pode pedir a abertura de inquérito ou denunciá-lo ao STF (Supremo Tribunal Federal) --já que Roriz, como senador, tem foro privilegiado.

Souza anunciou a decisão após reunião do Conselho Nacional do Ministério Público. Na semana passada, ao ser reconduzido ao cargo, ele sinalizou que havia indícios para abertura de procedimento administrativo contra Roriz, mas não forneceu detalhes.

Na última sexta-feira, o advogado de Roriz, Everardo Ribeiro, afirmou à Folha Online que as explicações sobre o assunto serão fornecidas à Procuradoria Geral da República. Ele disse apenas que o senador aguarda ser notificado.

As gravações foram realizadas durante a Operação Aquarela, comandada pela Polícia Civil do Distrito Federal, que desbaratou um esquema que desviava dinheiro do BRB. Foram presos 19 suspeitos, entre eles Moura.

Roriz foi à tribuna do Senado na semana passada se defender das acusações. Ele afirma que pediu um empréstimo para Nenê para comprar parte de uma bezerra nelore. Segundo o senador, ele descontou o cheque de Nenê --de R$ 2,2 milhões-- ficou com a parte do empréstimo e devolvem ao empresário R$ 1,9 milhão.

Renúncia

A Mesa Diretora do Senado deve decidir nesta semana o encaminhamento da representação elaborada pelo PSOL contra Roriz. Uma vez enviado ao conselho será instaurado o processo por quebra de decoro parlamentar e o ex-governador do DF não poderá mais renunciar.

A Folha Online apurou que Roriz examina a hipótese de renunciar ao mandato parlamentar para, assim, escapar da possibilidade de ser cassado e ficar inelegível por oito anos. Reunido com assessores pela manhã, e com o advogado Everardo Ribeiro, o ex-governador analisa quais são as melhores alternativas para evitar o processo que pode levar à perda de mandato.

Segundo reportagem desta segunda-feira da Folha, Roriz estuda renunciar em bloco junto com o primeiro suplente, Gim Argello, e o segundo, Marcos de Almeida Castro --de quem teria partido a proposta. A saída tornaria obrigatória nova eleição para senador no Distrito Federal.

 

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