Fiscalização encontra mil trabalhadores em condições degradantes no Pará
da Folha Online
O Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, composto por fiscais do Ministério do Trabalho e agente da Polícia Federal, encontrou 1.108 pessoas trabalhando em condições degradantes numa fazenda em Ulianópolis, no Pará. Essa fazenda pertence à Pagrisa (Pará Pastoril e Agrícola S.A.).
O Ministério Público do Trabalho informou que esses trabalhadores dormiam em alojamentos superlotados e trabalhavam na colheita de cana-de-açúcar e na Usina Pagrisa.
Os trabalhadores reclamaram das condições de higiene e do pagamento de salários, além da venda da comida servida no alojamento e medicamentos --com preços superiores ao de mercado. Os descontos eram tantos que muitos trabalhadores recebiam salários líquidos inferiores a R$ 10. Em alguns casos, não havia rendimento algum a receber.
Entre as irregularidades encontradas pela fiscalização estão a falta de banheiros, local inadequado para alimentação e esgoto a céu aberto despejado em uma represa utilizada pelos empregados para tomar banho e lavar roupas.
Os trabalhadores reclamaram ainda que a comida chegava azeda, que saíam às 4h30 e retornavam somente depois das 17h30, além de condições humilhantes de serviço.
O Ministério do Trabalho informou que os trabalhadores concordaram em deixar a fazenda com a rescisão indireta dos contratos de trabalho.
O procurador do Trabalho Luis Antônio Fernandes, calcula que a empresa deve R$ 1,8 milhão aos trabalhadores. O pagamento das verbas rescisórias deve começar nesta terça-feira.
Os responsáveis pela Pagrisa não foram localizados pela reportagem para comentar a ação do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo.
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