Brasil
03/07/2007 - 09h11

Suplente de Roriz coleciona suspeitas de irregularidades

RANIER BRAGON
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Se Joaquim Roriz for cassado ou renunciar ao mandato de senador, assumirá a sua vaga um suplente que tem pendências com a Receita, responde a seis processos ou inquéritos civis e criminais, é acusado de causar um prejuízo de R$ 1,7 milhão à Câmara do Distrito Federal, além de ter sido citado como beneficiário de propina.

Gim Argello, 45, o primeiro suplente de Roriz, é um dos vice-presidentes nacionais do PTB e já presidiu a Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde cumpriu dois mandatos como deputado (1998 a 2006).

Em 2002, foi divulgada um vídeo em que um deputado distrital diz a outro que Argello recebeu 300 lotes em troca de apoio a aprovação de lei que regularizava o condomínio Alto da Boa Vista, em Brasília.

Também enquanto comandava a Câmara do DF, Argello teve aberto contra si uma ação civil pública e um processo no Tribunal de Contas do DF -ainda não julgados definitivamente- sob a suspeita de que estabeleceu contrato de informática para a Casa que causou um prejuízo de R$ 1,7 milhão aos cofres públicos. Argello apresentou recentemente sua defesa nesse processo.

Outra pendência jurídica que o suplente de Roriz enfrenta é um inquérito no Tribunal Regional Federal da 1ª Região sob a suspeita de crime contra o sistema financeiro nacional. Consulta ao site da Receita Federal confirma que Argello tem pendência com o Fisco.

Já entre as ações que correm na Justiça de primeira instância do Distrito Federal, há o processo de um cabo-eleitoral que o acusa de não ter fornecido material de segurança para trocar cartazes afixados no alto de postes de iluminação. O cabo-eleitoral afirma que recebeu descarga elétrica que resultou na amputação de parte do braço e em queimaduras em 20% do corpo.

Na Justiça eleitoral Argello sofreu uma condenação em 2003 e foi obrigado a pagar multa de R$ 20 mil por fazer propaganda eleitoral irregular.

Devido às acusações contra Roriz há a possibilidade de que não só ele renuncie, mas também seus dois suplentes.

Outro lado

O advogado que trabalha na maioria das causas de Argello, Paulo Goyaz, afirmou que a acusação de recebimento de lotes como propina não prosperou. Sobre o contrato de informática, Goyaz disse que Argello realizou apenas "um ato de gestão". O advogado afirmou ainda que a pendência com a Receita está em fase de discussão e que o processo criminal relativo a ela está parado aguardando essa decisão.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca