Mesa Diretora decide devolver processo contra Renan ao Conselho de Ética
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Mesa Diretora do Senado decidiu hoje, por unanimidade, devolver ao Conselho de Ética da Casa o processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Com isso, o caso volta a tramitar no conselho.
Segundo o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), o conselho deve agora corrigir irregularidades no processo e apurar as denúncias contra Renan. O petista disse que a Mesa reconhece como legítimo o processo, mas admite que houve vícios em sua tramitação. Por isso, o caso deve voltar ao Conselho de Ética.
Os integrantes da Mesa Diretora se reuniram na manhã desta terça-feira por quase quatro horas para tomar a decisão. A reunião foi convocada ontem por Tião Viana depois que o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), devolveu o processo para a Mesa Diretora.
Durante a reunião de hoje, os senadores chegaram a cogitar a possibilidade de o processo contra Renan ser encaminhado para votação em plenário, mas a Mesa decidiu enviar diretamente pro conselho.
Hoje pela manhã, a Folha Online adiantou que a tendência era que os aliados de Renan sugerissem que o caso fosse remetido ao conselho, sem novos adiamentos nem estratégias para evitar o desfecho do processo.
"O presidente Renan tem de compreender que esse processo não pode ficar pairando como um fantasma assombrando a Casa", afirmou o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES).
Em uma reunião informal, alguns senadores conversaram sobre os desdobramentos do processo e suas repercussões. "Sou favorável à continuidade das investigações. A Mesa Diretora do Senado precisa devolver o processo ao Conselho de Ética e lá dar prosseguimento ao caso", disse o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Renan é acusado de ter utilizado dinheiro da construtora Mendes Júnior, via lobista Cláudio Gontijo, para pagar despesas pessoais, como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
Desde ontem uma nova crise se instaurou no Senado com a decisão de Quintanilha de devolver o processo à Mesa Diretora, alegando falhas técnicas.
A iniciativa acentuou a polêmica em torno do assunto, provocando reuniões da Mesa Diretora do Senado --sem a presença de Renan, que normalmente conduz as reuniões-- da oposição, dos independentes e agora do bloco aliado.
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