Renan resiste à pressão e mantém disposição de ficar na presidência do Senado
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não está disposto a atender aos apelos da oposição e de integrantes da base aliada para que se afaste do cargo até a conclusão do processo que há contra ele por quebra de decoro parlamentar. Renan sinalizou hoje estar disposto a resistir a todo tipo de pressão para conseguir permanecer na presidência do Senado.
Renan disse que não vai atender ao "sentimento desarrazoável da teimosia". "Com serenidade e reflexão, entendo que devo permanecer na presidência do Senado mesmo que isso contrarie apetites políticos de ocasião. O Senado é bem maior que a crise que querem agigantar", disse o peemedebista após ouvir os apelos de parlamentares pedindo sua saída.
Ele voltou a reafirmar sua inocência no caso. "Sucumbir à sedução de um pseudo-clamor é atitude incompatível com a coragem. Já comprovei documentalmente a minha inocência, mesmo com a inversão do ônus da prova."
Antes mesmo do crescimento da pressão pela saída dele do cargo, Renan já havia dito que "não arredaria o pé" da presidência do Senado. "Jamais [renunciarei]. Não arredarei o pé da presidência. Eu me sinto inteiramente à vontade [para continuar no comando do Senado]", disse Renan. "Não há crise na instituição, estamos deliberando mais do que a média."
A pressão sobre Renan cresceu após a manobra do presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), para postergar o processo. Além do PSDM e do DEM, até mesmo senadores do PMDB --partido de Renan-- pediram para ele deixar o cargo.
Para Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), a presença de Renan na presidência é um "constrangimento" para os demais senadores. "Esta crise não pode ser levada em hipótese nenhuma para o campo do governo e da oposição. A imprensa não ia se unir toda em torno de um partido", disse.
Renan é acusado de receber recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.
Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.
Perícia da Polícia Federal verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma "diferença" de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.
Manobra
Para adiar a tramitação do processo, Quintanilha decidiu, unilateralmente, remeter o processo para a Mesa Diretora do Senado. A medida atrasa a tramitação, já que a análise volta para a estaca zero.
A Mesa se reuniu hoje para analisar o caso e acabou devolvendo o processo para o Conselho de Ética. Na prática, a medida protela a investigação, já que o processo volta a tramitar do início --será nomeado novo relator.
A situação de Quintanilha também ficou frágil dentro do conselho. O corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), chegou a defender a renúncia dele do cargo.
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