STF revoga prisão de irmão de ministro do STJ preso na Operação Hurricane
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello revogou nesta quarta-feira a prisão preventiva de 20 investigados na primeira fase da Operação Hurricane (furacão), que desarticulou uma suposta quadrilha especializada em comprar sentenças para favorecer a máfia dos jogos e caça-níqueis.
A decisão, porém, só será cumprida se os acusados não tiverem mandados de prisão expedidos em outros processos. Como há outras ordens de prisão contra 11 dos beneficiados pela decisão, eles continuarão presos. Esse é o caso dos bicheiros Antonio Petrus Kalil, o Turcão, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, e Aniz Abrahão David, o Anísio.
Dos nove restantes, só oito estavam presos --um estava foragido. O advogado Virgílio Medina, irmão do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Paulo Medina, está entre esses nove e deve ser solto.
A decisão de Mello foi tomada na análise de liminar solicitada pela defesa de Turcão --que permanece preso porque a Justiça decretou sua prisão na 2ª fase da Hurricane.
Também estão na mesma os bicheiros José Renato Granado Ferreira (vice-presidente da associação de bingos do Rio); Paulo Roberto Ferreira Lino (presidente da associação de bingos do Rio); Júlio César Guimarães Sobreira (sobrinho de Capitão Guimarães), Ana Cláudia Rodrigues do Espírito Santo (secretária da associação de bingos do Rio); Jaime Garcia Dias; Evandro da Fonseca, Luiz Paulo Dias de Mattos e José Luiz da Costa Rebello.
Soltos
O superintendente da Polícia Federal no Rio, Delci Teixeira, avalia que a soltura dos presos é prejudicial a posteriores investigações do esquema de corrupção e compra de sentenças a favor da máfia dos bingos. "Essas pessoas fora poderão fazer contato com outras pessoas e poderão até suprimir algumas provas que porventura a polícia ainda não tenha tido acesso", afirmou.
Dos nove que não possuem outros mandados de prisão, Marcelo Petrus Kalil estava foragido. Serão efetivamente beneficiados pela liminar Belmiro Martins Ferreira; Licínio Soares Bastos, Laurentino Freire dos Santos, Silvério Nery Cabral Júnior, Sérgio Luzio Marques de Araújo, Nagib Teixeira Suaid e João Oliveira de Farias, além de Virgílio.
Segundo o ministro do STF, o decreto de prisão dos acusados não está suficientemente fundamentado. "Graves ou não os crimes, o enquadramento realizado antes da prova, antes da culpa formada, não é conducente à prisão preventiva", afirma Marco Aurélio.
Operação
A primeira etapa da Operação Hurricane, deflagrada em 13 de abril, prendeu 25 pessoas, entre magistrados, bicheiros, policiais, empresários, advogados e organizadores do Carnaval do Rio.
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Hurricane no último dia 19. Desta vez, o foco eram policiais acusados de receberem propina para facilitar a ação da máfia dos bingos e dos caça-níqueis.
Ontem, a PF deflagrou a terceira fase da Operação Hurricane, atingindo policiais acusados de receber propina da máfia dos jogos.
Leia mais
- Investigados na Hurricane negam acusações em depoimento à Justiça Federal
- Bicheiro preso em Operação Hurricane fica calado em depoimento
- PF prende delegado federal suspeito de receber mesada da máfia dos jogos
- Justiça Federal em MS suspende transferência de presos da Hurricane
- Máfia dos bingos pagava mesada de R$ 1 mi para a polícia, diz documento
Especial


