Procuradoria oferece denúncia contra Zé Índio e mais 14 na Hurricane 3
da Folha Online
O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro ofereceu denúncia contra 15 pessoas investigadas pela Operação Hurricane 3, da Polícia Federal, deflagrada na tarde desta terça-feira. Entre os presos pela operação está o ex-deputado federal José Ferreira do Nascimento, conhecido como Zé Índio (PTB-SP).
Os acusados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e concussão.
A Operação Hurricane (furacão) desarticulou uma suposta quadrilha especializada em comprar sentenças para favorecer a máfia dos bingos e caça-níqueis.
Entre os denunciados que tiveram prisão preventiva decretada e cumprida hoje, na terceira fase da operação, estão Osvaldo da Cruz Ferreira, delegado de Polícia Federal; Marinilde de Fátima Rodrigues Ferreira; Carlos Alberto Araújo Lima, escrivão de Polícia Federal; Marcus Vinícius Saraiva; Flávio Furtado, delegado de Polícia Federal; Sebastião Miranda Monteiro, agente de Polícia Federal; Wilber Corrêa da Silva, ex-funcionário da Câmara; e Zé Índio. Gustavo Alberini ainda está foragido.
Também foram denunciados Aléxis Lemos Costa, Sandro Lahmann, José Renato Granado Ferreira, Jaime Dias, José Luiz da Costa Rebello e Evandro da Fonseca --os quatro últimos já estão presos preventivamente.
Denúncia
A denúncia do Ministério Público aponta oferecimento de vantagens indevidas na condução de inquéritos dentro da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
No documento, os procuradores da República indicam a existência de dois núcleos na PF do Estado. Osvaldo da Cruz Ferreira fazia contato pessoal com investigados e respectivos advogados com o intuito de receber propinas para arquivar inquéritos ou produzir relatórios tendenciosos de conclusão do inquérito. Ele recebia o auxílio de sua mulher, Marinilde de Fátima Rodrigues Ferreira e de Marcus Vinícius Saraiva.
O outro núcleo na PF está ligado aos intermediários Evandro da Fonseca e Jaime Dias, que repassavam aos demais membros da organização as decisões e orientações de Turcão, Anísio e Capitão Guimarães, chefes da organização criminosa.
Os intermediários efetuavam pagamentos a Flávio Furtado e dois outros policiais federais, Carlos Alberto Araújo Lima e Sebastião Miranda Monteiro, que trabalhavam favorecendo a continuação da exploração do jogo ilegal no Estado.
A organização também atuava no Congresso, mediante corrupção de assessores. Os denunciados Wilber Corrêa da Silva --suspeito de participar também do esquema de compra superfaturada de ambulâncias-- e Zé Índio atuaram como lobistas para adiar a CPI dos Bingos.
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