Com renúncia pronta, Roriz busca saída honrosa para escapar de processo
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Na tentativa de escapar da cassação, o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), 70, busca uma saída honrosa. Com a carta de renúncia já pronta, ele conseguiu convencer seus suplentes ---Gim Argello e Marcos de Almeida Castro-- que a eventual renúncia deve ser em bloco.
A idéia de Roriz é evitar o processo de julgamento que pode levá-lo a perder o mandato parlamentar. Paralelamente, ele se esforça para garantir a realização de uma eleição para a vaga --que seria aberta com a renúncia em bloco. Assim, na prática, ele retornaria ao Senado com apoio popular. A eleição seria promovida 90 dias depois de sua renúncia.
Outra alternativa examinada por Roriz e sua equipe é convocar informalmente os admiradores do ex-governador para que realizem manifestações em favor de sua permanência no Senado, com críticas à suposta campanha de difamação promovida contra ele.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), prometeu encaminhar ainda hoje a representação do PSOL contra Roriz para o Conselho de Ética.
Pela interpretação da Mesa Diretora do Senado, Roriz tem até a notificação, pelo Conselho de Ética, para renunciar sem o risco ser cassado e ficar inelegível. A notificação pode ocorrer ainda hoje, mas há um prazo de cinco sessões legislativas para ser efetuada.
A Folha Online apurou que a possível renúncia de Roriz deve ser formalizada somente no último momento.
Medo
Segundo correligionários, Roriz receia que, em meio à pressão de governistas pela absolvição do senador do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) --alvo de outro processo por quebra de decoro parlamentar-- ele termine sendo o punido para estancar a crise de credibilidade que vive o Senado Federal.
Roriz atribui seu suposto sacrifício político à relação difícil que mantém com o PT do Distrito Federal, provocando consequências no contato com os governistas e o Palácio do Planalto. Também alega ser um "independente" contrário à coligação do PMDB com o PT, na base aliada nacional.
Acusações
Roriz foi acusado de quebra de decoro pelo PSOL após a divulgação de escutas telefônicas, gravadas com autorização judicial em que ele e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Tarcísio Franklin de Moura. Nelas, supostamente negociam a partilha de R$ 2,2 milhões no escritório do empresário Nenê Constantino, presidente do Conselho de Administração da Gol.
O ex-governador negou as acusações. Segundo ele, pegou apenas R$ 300 mil, do valor total do empréstimo, e teria devolvido o restante ao amigo empresário. O dinheiro, segundo ele, teria sido utilizado para comprar uma bezerra e ajudar um primo.
No entanto, nos últimos dias, as denúncias contra Roriz ganharam um elemento extra com a publicação de uma reportagem da revista "Veja", informando que Roriz teria utilizado parte dos R$ 2,2 milhões para subornar juízes do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Distrito Federal em processo contra ele nas eleições do ano passado.
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