Grupo de Renan consegue emplacar aliado do PMDB em relatoria tripartite
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A oposição acabou aceitando a indicação do senador Almeida Lima (PMDB-SE) para integrar a relatoria tripartite no processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Aliado ferrenho de Renan, Almeida Lima foi um dos poucos a sair em defesa do presidente do Senado ontem, quando parlamentares de oposição e da base pediram o afastamento do alagoano do cargo.
Além dele, a relatoria será composta ainda pelos senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES). Dessa forma, a relatoria ficou dividida entre o grupo de Renan (Almeida Lima), o de oposição (Maria Serrano) e da base (Renato Casagrande).
Casagrande, que defende o aprofundamento das investigações contra Renan, disse que o Conselho de Ética decidiu aceitar a indicação de Almeida Lima para o processo não ficar parado por conta da resistência da oposição ao peemedebista.
"O que leva alguém a aceitar alguém é falta de alternativa. Se não encararmos esse desafio, o Senado não sai disso", disse Casagrande.
Casagrande chegou a ser desconvidado para ocupar a relatoria após sinalizar a intenção de aprofundar as investigações.
O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), marcou para amanhã uma reunião com os novo relatores do processo. No encontro, eles discutirão um plano de trabalho para o andamento do processo. Em seguida, todos irão à Polícia Federal para pedir o prosseguimento da perícia nos documentos apresentados por Renan em sua defesa.
Renan é acusado de receber recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.
Para comprovar que seus ganhos eram compatíveis com os pagamentos, Renan apresentou documentos que apontam para um ganho de R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, com a venda de gado.
Perícia da Polícia Federal verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma "diferença" de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.
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