Conselho vai notificar Roriz nesta quinta; senador cogita renunciar antes
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética do Senado, pretende notificar amanhã o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) sobre a abertura de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar. A notificação é o prazo máximo previsto pelo regimento interno do Senado para que Roriz renuncie ao mandato sem correr o risco de ficar inelegível por oito anos.
A Mesa Diretora do Senado deve enviar até amanhã a representação do PSOL contra Roriz ao conselho. Nesta manhã, a Mesa decidiu acatar a representação do partido ao constatar que não houve irregularidades em sua elaboração, mas ainda não a encaminhou formalmente o processo ao conselho.
Quintanilha chegou a cogitar a convocação de uma reunião do Conselho de Ética para decidir sobre a notificação de Roriz. Mas ao ser acusado de que essa seria uma manobra protelatória em favor do peemedebista, Quintanilha voltou atrás e disse que vai despachar o processo logo após recebê-lo da Mesa Diretora.
Roriz não descarta renunciar ao mandato para escapar da cassação. Com a carta de renúncia já pronta, ele conseguiu convencer seus suplentes ---Gim Argello e Marcos de Almeida Castro-- que a eventual renúncia deve ser em bloco. A idéia de Roriz é evitar o processo, que, no limite, pode levá-lo à cassação.
Paralelamente, ele se esforça para garantir a realização de uma eleição para a vaga --que seria aberta com a renúncia dele e dos suplentes. Na prática, ele retornaria ao Senado com apoio popular. A eleição seria promovida 90 dias depois de sua renúncia.
Se for cassado, Roriz ficará inelegível até o ano de 2022 -- já que os oito anos sem direito a concorrer a cargos eletivos passam a contar quando terminaria o seu mandato de senador, em 2015.
O peemedebista foi acusado de quebra de decoro após a divulgação de escutas telefônicas, gravadas com autorização judicial, em que ele e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Tarcísio Franklin de Moura supostamente negociam a partilha de R$ 2,2 milhões no escritório do empresário Nenê Constantino, presidente do Conselho de Administração da Gol.
O ex-governador negou as acusações. Ele disse que pegou um empréstimo de R$ 300 mil com Nenê --quantia descontada de um cheque de R$ 2,2 milhões do empresário. O dinheiro, segundo ele, teria sido utilizado para comprar uma bezerra e ajudar um primo.
No entanto, nos últimos dias, as denúncias contra Roriz ganharam um elemento extra com a publicação de uma reportagem da revista "Veja", informando que Roriz teria utilizado parte dos R$ 2,2 milhões para subornar juízes do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Distrito Federal em processo contra ele nas eleições do ano passado.
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