Com renúncia, processo contra Roriz volta para Ministério Público do DF
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, vai devolver o processo do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) para o Ministério Público do Distrito Federal. É que, com a renúncia, o peemedebista perde direito ao foro privilegiado. Ainda sob o clima da decisão tomada ontem à noite, Roriz não se manifestou sobre seus planos futuros nem como pretende reagir.
Pensando em alternativas para manter o ex-senador na vida política, seu aliados contam com a possibilidade de o Senado cassar o primeiro suplente do peemedebista, Gim Argello (PTB-DF). Mas o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que essa hipótese não tem sustentação legal, assim também derruba a tentativa do PSOL de encaminhar representação contra Argello --por quebra de decoro parlamentar.
Segundo Demóstenes, as acusações contra Argello são anteriores ao período que ele cumpre o mandato parlamentar. "É matéria anterior ao mandato, não pode caracterizar quebra de decoro. O problema dele [Argello] é criminal", disse o senador.
O que os aliados de Roriz queriam era que houvesse uma nova eleição para o Senado. É que o segundo suplente, o engenheiro Marcos de Almeida e Castro, chegou a entregar a Roriz uma carta de próprio punho abrindo mão do mandato parlamentar.
A Folha Online apurou que a discussão sobre a possibilidade de Roriz poder concorrer ao cargo que era dele até a renúncia provoca polêmicas. Para alguns especialistas em direito eleitoral, o peemedebista pode concorrer normalmente. Mas esta interpretação não é unânime. A decisão deve ser tomada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Distrito Federal).
Segundo correligionários, ao contrário de Argello, Roriz confia integralmente em Marcos de Almeida. Os dois se conhecem há mais de 20 anos e o engenheiro foi nomeado por Roriz para ser presidente da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal).
Sem decidir como vai agir, Roriz quer viajar ainda hoje para sua fazenda perto de Luiziânia (GO), sua cidade natal. "Não pretende dar entrevistas coletivas nem fazer reuniões políticas por enquanto."
O suplente de Roriz, Argello, é denunciado por grilagem de terra e citado nas investigações da Operação Aquarela, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal, que desbaratou um esquema que desviava dinheiro do BRB (Banco de Brasília), entre outras acusações.
Foram gravações feitas durante a ação que trouxeram à tona conversas telefônicas entre Roriz e o ex-presidente do BRB supostamente acertando a partilha de R$ 2,2 milhões --de origem incerta. A denúncia acabou provocando o encaminhamento de uma representação por quebra de decoro contra o peemedebista.
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