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Brasil
05/07/2007 - 16h08

Conselho vai esperar perícia da PF para votar novo relatório do caso Renan

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RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O novo relatório do Conselho de Ética do Senado sobre o processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), só vai ser apresentado após o resultado de uma perícia mais aprofundada da Polícia Federal nos documentos do peemedebista.

A PF pediu um prazo de 20 dias para apresentar o resultado da perícia, que vai verificar a autenticidade dos documentos e a veracidade das transações financeiras realizadas por Renan no período de 2002 a 2006. Esse prazo para a contar a partir da entrega de documentação. O conselho deve pedir novos documentos a Renan na terça.

"Precisamos da perícia e do aprofundamento das investigações. Se a PF precisar de 15, 30 dias, terá esse prazo", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos três relatores do processo.

Com isso, a apresentação do novo relatório deve ficar para depois do recesso parlamentar --que vai de 18 de julho a 1º de agosto.

Cruzamento de dados

A primeira reunião da nova relatoria decidiu hoje que o Conselho de Ética vai cruzar a evolução do patrimônio de Renan com as obras executadas pela Mendes Júnior no período de 2002 a 2006. O senador é acusado de utilizar recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento. Renan também responde a acusações de que teria beneficiado a Mendes Júnior com a liberação de emendas parlamentares para obras executadas pela empresa.

Com base nos resultados da perícia e da comparação do patrimônio de Renan com as obras executadas pela Mendes Júnior com dinheiro público, os relatores elaborarão um novo texto para o processo, que será mais tarde levado à votação no conselho.

O primeiro relatório, feito em dois dias pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) sugeria o arquivamento do processo por falta de provas. Cafeteira está afastado por problemas de saúde e seu relatório não levava em consideração a suspeita de irregularidade nos documentos de Renan nem a primeira perícia feita pela PF.

Essa primeira perícia verificou que Renan entregou notas fiscais com indícios de fraude, além de documentos que apresentam, entre si, uma "diferença" de 511 cabeças de gado na venda declarada, cerca de R$ 600 mil, quase um terço do que ele afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.

Para provar que utilizou recursos próprios, e não da Mendes Júnior, para fazer os pagamentos à jornalista, Renan disse que ganhou R$ 1,9 milhão com a venda de gado no período de quatro anos.

 

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