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Brasil
06/07/2007 - 19h12

Renan quer impedir recesso para não ser acusado de atrasar investigações

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GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Com o receio de ser acusado de paralisar as investigações do Conselho de Ética no recesso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMD-AL), trabalha nos bastidores para adiar a votação a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Pelo regimento do Congresso, o recesso parlamentar só pode ter início depois da aprovação da lei.

A Folha Online apurou que Renan não quer passar a imagem de que o recesso poderá protelar as investigações do conselho sobre o processo no qual é acusado de quebra de decoro parlamentar.

Alan Marques/Folha Imagem
Juventude do PPS levou bezerra para frente do Congresso para protestar contra Renan
Juventude do PPS levou bezerra para frente do Congresso para protestar contra Renan

Nos bastidores, o presidente do Senado alega que nos últimos dez anos,a LDO não foi votada no mês de julho --o que abre caminho para o Congresso funcionar numa espécie de "recesso branco", o que permite a manutenção das atividades do conselho.

O senador é acusado de pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, com recursos da empreiteira Mendes Júnior.

O Conselho de Ética espera concluir as investigações sobre o caso somente em setembro. Por isso, o peemedebista trabalha para que o Congresso não entre em recesso uma vez que, com atividades paradas ou não em julho, as investigações vão andar em passos lentos no próximo mês.

A Polícia Federal estabeleceu o prazo de 20 dias para concluir perícia nos documentos encaminhados pela defesa de Renan. Só depois da perícia os três relatores do processo prometem dar prosseguimento às investigações --Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Almeida Lima (PMDB-SE).

Boicote

Renan também teme presidir a sessão do Congresso Nacional para a votação da LDO uma vez que deputados da oposição prometem obstruir os trabalhos se o senador estiver na presidência.

O PPS lidera um movimento de boicote, caso Renan insista em presidir a sessão do Congresso porque argumenta que o senador deve se afastar do cargo até que as investigações do conselho estejam concluídas.

"Ele não pode conduzir a votação. Quem conduz tem influências sobre o que vai ser votado. E ele não tem condições atualmente para isso", disse à Folha Online o líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC).

Ontem, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso aprovou o texto básico da LDO. Na próxima terça-feira, serão votados cerca de 700 destaques ao texto principal. Só depois de aprovada na comissão a LDO poderá ser enviada para votação em sessão conjunta da Câmara e do Senado.

Apesar das ameaças da oposição, o líder do governo na Câmara, deputado José Múcio (PTB-PE), disse que não vê problemas nem dificuldades para colocar a LDO em votação na próxima semana. O vice-líder do PT na Casa, Henrique Fontana (RS), também acredita que não há obstáculos à aprovação da lei.

 

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