Aliado nega relatório paralelo para beneficiar Renan em processo
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Apontado como integrante da tropa de choque de defesa do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Almeida Lima (PMDB-SE) negou hoje que pretende elaborar um relatório paralelo ao dos colegas no processo por quebra de decoro contra o presidente da Casa. Um dos três relatores no Conselho de Ética do Senado no processo contra Renan, Lima reiterou que não cumprirá o papel de advogado de defesa do peemedebista.
"Apenas acho que eles [os outros dois relatores do processo no conselho] podem estar pleiteando a condenação", afirmou à Folha Online Almeida Lima, referindo-se aos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS). "É uma estupidez afirmarem que vou elaborar um relatório diferente, as investigações estão muito no princípio."
Almeida Lima retorna hoje às atividades parlamentares, depois de se submeter a um tratamento renal. Ele apoiou a decisão do conselho de determinar o cruzamento das contas de Renan com as da empreiteira Mendes Júnior --acusada de ter repassado dinheiro a Renan por meio do lobista Cláudio Gontijo para que o senador pagasse contas pessoais.
O relator também elogiou a iniciativa da Polícia Federal de periciar os documentos de Renan. "Estão corretas as decisões. É preciso ampliar as investigações. É necessário descobrir qual era exatamente a função do Cláudio Gontijo, que se diz amigo de Renan", afirmou Almeida Lima. "Também é preciso verificar se houve ou não dinheiro da Mendes Júnior repassado para o senador Renan Calheiros", disse.
Um dos principais defensores de Renan no Senado, Almeida Lima disse que ficará à vontade para votar a favor da condenação contra o colega, se as investigações confirmarem as suspeitas. "Se ficar provado que ele [Renan] recebeu dinheiro da construtora para pagar despesas pessoais, eu voto pela condenação", afirmou.
Relatores
O novo relatório do Conselho de Ética do Senado sobre o processo por quebra de decoro parlamentar só vai ser apresentado após o resultado de uma perícia mais aprofundada da Polícia Federal nos documentos do peemedebista. A PF pediu um prazo de 20 dias para apresentar o resultado da perícia, que vai verificar a autenticidade dos documentos e a veracidade das transações financeiras realizadas por Renan no período de 2002 a 2006.
O prazo passa a contar a partir da entrega de documentação. O conselho deve pedir novos documentos a Renan nesta terça.
Segundo reportagem publicada hoje pela Folha (só para assinantes), a perícia preliminar da PF na defesa apresentada por Renan detectou 20 inconsistências ou indícios de irregularidades na documentação reunida e apresentada pelo presidente do Senado para tentar comprovar que teve ganho de R$ 1,9 milhão com a venda de bois e vacas desde 2003. Essa perícia foi realizada em 48 horas.
De acordo com a reportagem, essa análise será o ponto de partida da perícia mais "aprofundada" que a PF deve para comprovar ou não a veracidade da papelada de Renan e das supostas transações agropecuárias feitas por ele.
A reportagem afirma que entre os problemas encontrados pela PF estão a ausência de notas fiscais para provar as supostas vendas de gado em 2004; divergências entre as notas fiscais apresentadas e as GTAs (Guia de Trânsito Animal, documento exigido para o transporte de animais vivos); e indícios de irregularidades nas empresas que supostamente compraram o gado de Renan.
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