Brasil
10/07/2007 - 16h57

Renan diz que senadores terão de "sujar as mãos" para afastá-lo da presidência

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou hoje que não está disposto a abrir mão do cargo. Senadores da oposição e do seu próprio partido pedem que Renan se licencie da presidência enquanto estiver em curso o processo por quebra de decoro que tramita contra ele no Conselho de Ética.

"Quem quiser ser catão, vai ter que ser catão. Se quiserem a minha cadeira, se esse for o desejo político ocasional, vão ter que sujar as mãos, dizer ao Brasil porque estão tirando o presidente do Senado. Vão ter que botar a forca lá fora ou a fogueira e pegar o presidente do Senado lá dentro para queimar. Até essa hora, eu vou cumprir o meu papel na minha cadeira", afirmou ele.

A declaração de Renan ocorrreu quando ele discutia com líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), no meio da sessão plenária do Senado.

Virgílio questionou Renan sobre a decisão de seu advogado, Eduardo Ferrão, de recorrer do arquivamento do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) no processo que tramita no Conselho de Ética do Senado. O líder também reclamou a Renan da decisão do advogado de questionar a perícia da Polícia Federal que está sendo realizada nos documentos do senador.

Renan disse que vai "até o fim" na defesa de seus direitos para provar sua inocência e que vai permanecer na presidência da Casa mesmo diante da "cara feia" de outros senadores.

"Se eu tiver culpa, talvez não cheguemos nem no plenário, eu reconhecerei a culpa. Mas ninguém vai me tirar daqui a não ser a vontade soberana do plenário. Não vão me tirar da presidência do Senado me fazendo cara feia."

Virgílio respondeu que enquanto for líder do PSDB vai assumir a responsabilidade por todos os atos do partido --inclusive os menos agradáveis ao presidente da Casa. "Não tenho outra cara. Há quem diga que a minha não é tão feia assim. Há gosto para tudo", rebateu o tucano.

O líder disse que a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), uma das relatoras do processo contra Renan, levou à reunião da bancada a sua preocupação sobre as duas intervenções realizadas pelo advogado do presidente do Senado. "Não vim aqui para ameaçar, apenas para fazer questionamentos", afirmou Virgílio.

Na troca de farpas, Renan disse ao líder tucano que viveu hoje "um dos momentos mais desagradáveis no Senado" ao polemizar com Virgílio.

O senador Jefferson Peres (PDT-AM) foi o único a participar do debate entre Renan e Virgílio. Ele afirmou que vem defendendo o afastamento do senador da presidência sem a intenção de constrangê-lo. "Fiz um apelo e é um direito seu permanecer na presidência", disse Peres.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca