Brasil
11/07/2007 - 08h31

Via Campesina começa deixar área da Syngenta no Paraná

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JOSÉ MASCHIO
da Agência Folha, em Londrina

A Via Campesina iniciou ontem o processo de desocupação da fazenda experimental da multinacional Syngenta Seeds em Santa Tereza do Oeste, no oeste do Paraná. O processo de retirada das famílias é uma tentativa de evitar uma multa diária de R$ 2.000 para o governador Roberto Requião (PMDB), determinada pela Justiça caso os invasores permanecessem no local. As multas começariam a ser cobradas a partir de ontem.

Ontem, as 60 famílias que estavam na fazenda --invadida em março do ano passado-- pediram ao juiz Fabrício Mussi, da 1ª Vara Cível de Cascavel, um prazo de oito dias para retirarem animais e barracos da fazenda, de 127 hectares, e para colherem as lavouras de milho, feijão e mandioca que ocupam 78 hectares da área. O juiz só irá decidir hoje se concede esse prazo às famílias. As famílias serão transferidas para o assentamento Olga Benário, em Santa Tereza do Oeste.

A Via Campesina anunciou ontem que, no período em que esteve na fazenda, plantou 3.000 mudas de árvores nativas, numa tentativa de evitar que o local volte a ser área experimental para sementes transgênicas. Pela legislação ambiental do Paraná, é proibido o corte de espécies nativas sem autorização prévia do IAP (Instituto Ambiental do Paraná).

Em nota, a Via Campesina informou que continuará, na Justiça, pleiteando a posse da área, para a transformação do local em área de pesquisa agroecológica. E também para que a Syngenta Seeds pague multa de R$ 1 milhão ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) por produzir sementes transgênicas no entorno do parque nacional do Iguaçu. A multa foi aplicada no início do ano passado.

A Syngenta Seeds não se pronunciou ontem sobre o assunto. Segundo a assessoria de imprensa, os responsáveis por falar sobre o assunto não poderiam se manifestar ontem.

 

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