Brasil
20/07/2007 - 11h48

Saiba mais sobre o senador Antonio Carlos Magalhães

da Folha Online

Presença constante na cena política brasileira nas últimas décadas, Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) construiu uma imagem de aliado de governos dos mais variados matizes ideológicos, do regime militar pós-64 à era tucana de Fernando Henrique Cardoso, chegando a ensaiar uma aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Antonio Carlos Peixoto de Magalhães formou-se médico, como seu pai, pela Universidade Federal da Bahia em 1952, mas encontrou na política a sua profissão. Nascido na ladeira da Independência, em Salvador (BA), em 4 de setembro de 1927, ACM iniciou sua vida política como presidente do grêmio do Ginásio da Bahia. Na universidade, foi presidente do Diretório Central de Estudantes.

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Senador Antonio Carlos Magalhães morre aos 79 anos em São Paulo
Senador Antonio Carlos Magalhães morre aos 79 anos em São Paulo

Trabalhou como redator de debates da Assembléia Legislativa da Bahia e redator do jornal "Estado da Bahia" (dos "Diários Associados"). Em 1979, começou a circular o "Correio da Bahia", jornal de sua propriedade. Suas empresas de comunicação incluem também a TV Bahia, afiliada à Rede Globo de Televisão.

ACM foi professor-assistente e, depois, professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, além de literato, tendo publicado dois livros "Não Era Fácil Ser Revolucionário" e "Meu Compromisso com o Nordeste".

Entre os imortais da Academia de Letras da Bahia, ocupou a cadeira 37. Em 1998, depois de 15 anos, ACM decidiu abandonar a instituição. Alegou ter ficado revoltado com a entrada de um jornalista e seu desafeto na entidade.

Mas todas essas atividades se tornaram secundárias na vida do homem que ocupou cargos importantes na vida pública brasileira desde 1954, quando foi eleito deputado estadual pela UDN (União Democrática Nacional).

Quatro anos depois, começou a alcançar projeção nacional quando se elegeu, ainda pela UDN, deputado federal cargo para o qual foi reeleito duas vezes, em 1962 e 1966.

A popularidade crescente e o círculo de amigos que formou ao longo desses primeiros dez anos de vida pública fizeram com que fosse nomeado prefeito de Salvador pelo então governador, Luís Viana Filho.

Para ocupar a prefeitura, licenciou-se da Câmara em janeiro de 1967. Na ocasião ACM já estava filiado à Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido que dava sustentação ao governo militar e que fora criado no ano anterior.

Ao fim do mandato de prefeito, em 1970, reassumiu seu papel de deputado federal, cargo que exerceria por menos de um ano, já que, em 1971, foi indicado pelo presidente Emílio Garrastazu Médici para ser o governador da Bahia.

É nesse cargo que Antonio Carlos Magalhães iniciou as obras que o tornariam famoso em seu Estado natal, como mais de 200 quilômetros de esgotos sanitários, uma nova estação rodoviária em Salvador e a ampliação do sistema de ligação por ferryboat da capital baiana com a ilha de Itaparica.

Durante o mandato de governador, entre 1971 e 1975, ACM iniciaria a consolidação da Bahia como pólo turístico brasileiro, com a implantação de hotéis e a construção de estradas e museus em Salvador e Porto Seguro (litoral sul da Bahia).

Em 1975, o então presidente Ernesto Geisel nomeou ACM presidente da Eletrobrás e membro do Conselho de Administração da Itaipu Binacional.

Esse afastamento do primeiro plano da vida pública duraria até 1979, quando teve início o seu segundo mandato como governador da Bahia, novamente indicado pelo governo militar.

Com o fim do bipartidarismo, ACM filiou-se ao PDS (Partido Democrático Social) e, em 1982, elegeu seu sucessor, João Durval Carneiro, com quem romperia tempos mais tarde.

Em 1984, enquanto o país buscava a redemocratização, com a campanha das "Diretas Já", ACM opôs-se à candidatura à Presidência de Paulo Maluf e declarou seu apoio a Tancredo Neves. Juntamente com outros dissidentes do PDS fundou a Frente Liberal, posteriormente transformada em Partido da Frente Liberal (PFL) --e depois em DEM (Democratas).

Com a morte de Tancredo e a posse de José Sarney, em 1985, assumiu o Ministério das Comunicações, nele permanecendo até março de 1990. Sua gestão foi marcada por várias denúncias de distribuição de concessões de rádio e TV em troca de apoio aos interesses do governo, em especial para a aprovação do mandato de cinco anos para José Sarney.

Em 1986, ACM enfrentou uma de suas raras derrotas políticas, com a eleição de Waldir Pires (PMDB) para o governo da Bahia, em detrimento de seu aliado Josaphat Marinho. Em seguida, um de seus maiores dramas pessoais: o suicídio de sua filha mais nova. Ana Lúcia Magalhães, de 28 anos, diretora do "Correio da Bahia", morreu com um tiro na cabeça.

Episódio igualmente dramático seria vivido por ACM em 21 de abril de 1998, quando morreu seu filho Luís Eduardo Maron Magalhães, seu provável sucessor político, vítima de infarto, aos 43 anos. Foi o segundo, dos quatro filhos que teve com Arlete Maron de Magalhães, com quem havia se casado em 1952, a falecer.

Ao deixar o Ministério das Comunicações, assumiu em março de 1991, pela terceira vez, o governo da Bahia, do qual saiu para assumir o cargo de senador da República, em 1994, tendo eleito seu sucessor, César Borges.

Três anos depois, foi eleito presidente do Senado e, como tal, continuaria angariando amigos e opositores, ao usar seu poder para, por exemplo, incentivar a instalação de indústrias na Bahia em troca de incentivos fiscais e empréstimos, fato que o indispôs com governadores de vários Estados.

Sua saída da presidência do Senado, em fevereiro de 2001, impôs-lhe uma das suas piores derrotas políticas, com a eleição do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) para sucedê-lo. Sua reação, ao que considerou uma traição por parte do então presidente Fernando Henrique, foi uma série de acusações contra o governo, que custaram ao senador a demissão de dois ministros por ele indicados, Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e Waldeck Ornélas (Previdência).

Em março de 2001, assinou o requerimento da oposição que propunha a criação de uma CPI da Corrupção, com a finalidade de investigar o governo FHC.

Em 30 de maio de 2001 o senador renunciou ao mandato para evitar um processo por quebra de decoro no Senado que, no limite, poderia levá-lo à cassação além de ficar inelegível por oito anos. Ele foi acusado, à época, de envolvimento com o episódio da violação do painel eletrônico do Senado na votação da cassação do então senador Luiz Estevão (PMDB-DF), em 28 de junho de 2000. ACM foi reeleito novamente para o Senado em 2002.

Sua última derrota na política ocorreu no ano passado, quando o petista Jaques Wagner derrotou o seu candidato, Paulo Solto (DEM), na disputa pelo governo da Bahia.

Saúde

ACM sofreu um infarto em 1989. Operado pelo cardiologista Adib Jatene, recebeu o implante de duas pontes de safena e duas mamárias. Em 1991, foi operado em Londres para a retirada de três cálculos renais e, em setembro de 1999, foi submetido a uma biópsia na próstata (exame que tem o objetivo de detectar a existência de câncer no órgão), cujo resultado deu negativo. Em março de 2001 passou por exames no Hospital Aliança, em Salvador, em razão de problemas pulmonares.

O estado de saúde do senador começou a se complicar neste ano, a partir de março, quando o político ficou internado para se curar de uma pneumonia e de uma disfunção renal. Desde então, ACM vinha se submetendo a check-ups de rotina todo mês.

Em abril, o senador foi internado no InCor com insuficiência cardíaca. No final de maio, o parlamentar sentiu-se mal no Senado e chegou a cair em frente ao seu gabinete. Na ocasião, ele foi submetido a uma série de exames no InCor.

ACM era cardiopata, portador de insuficiência cardíaca congestiva, em decorrência de um infarto, ocorrido em 1989.

 

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