Publicidade

Publicidade
Brasil
16/07/2007 - 10h37

Renan agora quer deter votação na Mesa Diretora do Senado

Publicidade

FERNANDA KRAKOVICS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Em mais uma manobra protelatória, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), articula para que membros da Mesa Diretora peçam vista (suspensão da votação) amanhã do requerimento, encaminhado pelo Conselho de Ética, para que a Polícia Federal aprofunde perícia feita em documentos apresentados por ele em sua defesa.

Como o recesso parlamentar começa na quarta-feira, isso significaria que a Polícia Federal só retomaria os trabalhos em agosto. A manobra pode ser neutralizada se o vice-presidente do Senado, Tião Viana, que conduzirá a reunião, conceder apenas algumas horas para a análise do material.

Aliados de Renan apostam na iniciativa de Magno Malta (PR-ES) para o pedido de vista e não descartam que ele receba apoio de outros membros da Mesa.

O senador nega que pretenda pedir tempo, mas diz que a Polícia Federal não pode fazer a perícia sem autorização do STF (Supremo Tribunal Federal).

Esse é um dos principais argumentos da defesa de Renan. "Tem que pedir [autorização] ao Supremo", afirmou Malta. "O conselho não tem atribuição constitucional para provocar a ação da Polícia Federal", disse Eduardo Ferrão, advogado do presidente do Senado.

Ferrão disse que não pretende recorrer ao STF para impedir que a PF conclua a perícia, mas não descartou usar o artifício posteriormente para anular os trabalhos do conselho.

"A gente só vai recorrer ao Supremo se houver atropelo ao devido processo legal e restrições ao direito de defesa", disse o advogado.

Em representação enviada ao conselho na semana passada, Ferrão apontou supostos erros na tramitação do processo e restrições ao direito de defesa do presidente do Senado.

Ferrão e o senador José Nery (PSOL-PA), autor da representação contra Renan, poderão participar da reunião da Mesa, além do presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO).

Ferrão deve pedir ainda que sejam excluídas algumas das 30 perguntas a serem encaminhadas à PF e que constam do ofício elaborado pelo conselho.

O objetivo é verificar se as operações de venda de gado declaradas pelo presidente do Senado realmente ocorreram e também se a evolução de seu patrimônio é compatível com sua renda.

A perícia da PF é a principal linha de investigação do conselho. Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da Mendes Júnior.

Para comprovar que teria renda suficiente para custear seus gastos, o presidente do Senado declarou ter ganho R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com venda de gado.

Laudo preliminar da PF apontou inconsistências em notas fiscais apresentadas por Renan referentes a operações de venda de gado.

A lucratividade obtida pelo presidente do Senado é considerada fora dos padrões por pecuaristas nacionais.

Outra forma de protelar a decisão é esvaziar o quórum da reunião da Mesa, o que é mais difícil, já que a oposição tem número suficiente para garantir a presença de pelo menos quatro senadores, que é o mínimo necessário.

Ignorando acordo feito entre líderes partidários e integrantes da Mesa, Renan adiou a reunião do colegiado de quinta-feira passada para amanhã.

A medida irritou a oposição, que se retirou do plenário e ameaça obstruir as votações se o pedido de perícia não for encaminhado antes do recesso.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca