Berzoini minimiza vaias a Lula e diz que foram motivadas por ação política
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), minimizou nesta segunda-feira as vaias recebidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura dos Jogos Pan-Americanos 2007 no Maracanã, na última sexta-feira. Berzoini disse que, no regime democrático, qualquer pessoa pode receber vaias ou elogios.
"Nós não temos qualquer dificuldade de receber críticas quando elas são feitas, e receber apoios e aplausos. É natural da democracia, em que se pode vaiar ou aplaudir qualquer pessoa", afirmou.
Aliados de Lula atribuem as vaias ao que chamam de "orquestração política" articulada pelo prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM). Berzoini evitou citar nomes dos supostos responsáveis pelas vaias, mas disse não ter dúvidas de que foram motivadas por uma ação política.
Segundo os aliados de Lula, o prefeito teria distribuído cerca de 100 mil ingressos para a abertura do Pan. Já a prefeitura negou a distribuição, informando que foram sorteados somente 300 convites.
O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), filho do prefeito, rebateu as acusações de que a prefeitura articulou aliados para constrangerem o presidente. "Quem tem condições de controlar 80 mil [pessoas] no Maracanã não seria prefeito de uma cidade, e sim presidente da República. Não faz o menor sentido acusar a prefeitura. O presidente Lula tem que saber receber críticas e vaias", afirmou.
Para o senador Jarbas Vasconcelos (PE), que integra a ala independente do PMDB, o presidente tem que aprender a conviver com opiniões diferentes das que o cercam. "Ele está acostumado a usar uma platéia de petistas e sem-terra. Aqui em Pernambuco, ele é useiro e viseiro disso", criticou.
Magoado com o episódio, Lula aproveitou seu programa semanal de rádio na manhã de hoje para afirmar que ficou muito "triste" com o episódio. "A vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá", desabafou Lula.
Vaias
O presidente foi vaiado quatro vezes no início da cerimônia de abertura do Pan. Os dois primeiros momentos de vaia ocorreram logo após a execução inicial da música-tema da competição, "Viva Essa Energia". O presidente voltou a ser vaiado quando o serviço de som do estádio anunciou o início do desfile de abertura.
Lula foi vaiado também quando a sua imagem apareceu nos telões do estádio e, novamente, durante o discurso do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman. Lula, aparentemente desconcertado, ficou sentado em seu lugar.
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