Sérgio Cabral diz que Lula foi vítima de uma armadilha na abertura do Pan
da Folha Online
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse nesta segunda-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi vítima de uma armadilha na cerimônia de abertura da 15ª edição dos jogos Pan-Americanos, realizada no estádio do Maracanã na sexta-feira. Na ocasião, Lula foi vaiado seis vezes pelo público e não discursou.
"O presidente Lula é tão magnânimo que não são armadilhas montadas que vão superar o amor do presidente pelo Rio de Janeiro", afirmou o governador, em discurso no Instituto Tecnológico, em Quintino (zona norte).
Ao explicar sua declaração, Cabral disse que ninguém "em sã consciência" vaiaria o presidente Lula. "Ele foi aplaudido durante a visita à vila do Pan. Durante a carreata, passamos pela Tijuca, que é um bairro de classe média, e a população saudou a passagem do presidente. [A vaia] foi muito bem localizada, à esquerda do [estádio] Maracanã", afirmou.
Questionado se a "armadilha" ao presidente Lula teria sido feita pelo prefeito do Rio César Maia (DEM), o governador fez questão de ressaltar que não citou nome algum em seu discurso.
"Eu não disse que foi ele [prefeito]. Só sei que quem fez, fez muito mal. Foi um bumerangue que voltou e bateu na cabeça do responsável. O Lula não ajudou o Pan pensando em direito autoral. Foi pensando no povo brasileiro, e a população do Rio ama o presidente", comentou.
Cabral disse ainda que o presidente Lula "ama tanto" o Rio que voltará à cidade na sexta-feira para a posse da nova diretoria da ABL (Academia Brasileira de Letras).
Tristeza
Hoje, no programa semanal de rádio "Café com o Presidente", Lula disse que ficou triste com as vaias. "A vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá. Eu tenho certeza de que não é esse o pensamento do Rio de Janeiro. Depois que terminou o evento, várias pessoas vieram dizer que tinha sido organizado, que gente tinha recebido o convite. A mim, não me interessa o que aconteceu, já aconteceu. O importante é que foi uma abertura extraordinária."
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