Renan nega manobra e deixa vice presidir reunião da Mesa sobre perícia da PF
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou hoje que esteja disposto a adiar a decisão da Mesa Diretora da Casa marcada para esta terça-feira sobre o pedido para que a Polícia Federal inicie perícia em documentos apresentados pela sua defesa. Em comunicado transmitido pelo senador Valter Pereira (PMDB-MS) no plenário do Senado, Renan disse que a pauta da Mesa Diretora "será estritamente cumprida a despeito das especulações feitas a respeito".
| L.Marques/Folha Imagem |
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| Mesa Diretora se reúne amanhã para decidir perícia de documentos de Renan à PF |
Pereira também leu documento encaminhado por Renan ao Conselho de Ética do Senado no qual o peemedebista se diz impedido para intermediar qualquer decisão relacionada ao seu processo por quebra de decoro parlamentar --instalado no conselho após representação apresentada pelo PSOL.
"Suscito meu impedimento para despachar expedientes referentes à representação. Solicite que encaminhe diretamente ao primeiro vice-presidente do Senado as correspondências relativas ao processo disciplinar", diz Renan no documento.
Pereira, que conversou com Renan por telefone, pediu que o colega peemedebista tranqüilizasse os senadores sobre a realização da Mesa Diretora nesta terça-feira. "O senador Renan pediu que eu tranqüilizasse a Casa de que a reunião amanhã será realizada. A maioria dos membros da Mesa confirmou presença", disse Pereira.
Sob o comando do primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), a Mesa Diretora se reúne amanhã para decidir se vai encaminhar requerimento do conselho à Polícia Federal para o início de nova perícia nos documentos apresentados por Renan em sua defesa.
O DEM e o PSDB também estão em alerta para um possível pedido de vista ao requerimento. Se o pedido ocorrer e for autorizado pela Mesa Diretora, a perícia da PF só terá início em agosto, após o recesso parlamentar que terá início na próxima quarta-feira.
"Quem vai se reunir amanhã é a instituição. Se alguém pedir vista, é com o claro objetivo de procrastinar. Tudo ficaria parado por 12, 13 dias. E a culpa será da Mesa do Senado e ficará claríssima a interferência do Palácio do Planalto", alertou o senador José Agripino Maia (DEM-RN).
Renan é acusado de ter utilizado dinheiro da construtora Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento. Para comprovar os pagamentos, ele alegou ter lucrado com a venda de gado. Os documentos referentes essas transações serão periciados pela PF.
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